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Review: O Homem Invisível

Em 2017 a Universal anunciou um ousado projeto, ela faria de seus clássicos monstros sua própria franquia “Vingadores”. Um universo cinematográfico de super produções iniciado por um reboot de A Múmia (Sophia Boutella), que introduziria também o viajante Nick Caron (Tom Cruise) e já apresentaria O Médico e o Monstro (Russel Crowe), para depois virem o Frankestein (Javier Barden) e o Homem Invisível (Johnny Depp) em filmes próprios. E como toda tentativa mais focada em copiar o Marvel Studios que em fazer filmes, obviamente deu tudo errado, com A Múmia recebendo uma péssima recepção critica e uma bilheteria fraca, o que gerou uma mudança de planos. E parece que eles aprenderam com os erros.
De volta a prancheta, o estúdio sabiamente decidiu retomar o esquema de “um filme por vez” e ao invés de grades orçamentos e aventuras megalomaníacas, recorreu a produtora Blumhouse, que vinha fazendo excelentes filmes de terror na casa, para tentar algo menor e mais criativo. O resultado foi um f…
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Review: Aves de Rapina

A versão da Arlequina que debutou no cinema em Esquadrão Suicida (2016) é a perfeita tradução de um personagem do sexo feminino dos quadrinhos para outra mídia pelo ponto de vista masculino. Do visual ao que apresentava da personalidade, ela tinha um conceito bastante raso e estereotipado que, por mais que conversasse com o momento da personagem, tinha mais função "eye-candy" que qualquer outra coisa. É interessantíssimo então ver a tradução da personagem para um ponto de visto cem por cento feminino, sendo reescrita para um filme escrito, dirigido e produzido por mulheres. Essa oportunidade nos é dada com Aves de Rapina.
Primeiro de tudo é importante jogar por terra aquela máxima ignorante de que feminismo significa ser menos bonita. Margot Robbie está impecável do inicio ao fim do filme e não é como se ela tivesse sido coberta dos pés a cabeça, a diferença é que neste filme a vemos em visuais que fazem sentido, seja para o cotidiano ou para cenas de ação. Ela não vai luta…

Review: 1917

Vou confessar que meu sentimento antes de assistir a esse filme era do mais puro: “ah, mais um filme de guerra que a academia está abraçando apenas pelo tema”. Ledo engano. Com 1917 o diretor e roteirista Sam Mendes opera o milagre de encontrar uma forma inédita de contar uma historia que se passa durante uma das grandes guerras mundiais tanto esteticamente quanto a critérios de narrativa.
Aqui acompanhamos dois cabos do exercito britânico que são encarregados de chegar a outro pelotão, que se encontra à 15km de distancia, em tempo de impedir um ataque que os levará a uma armadilha que pode matar a todos eles, incluindo o irmão de um dos cabos. A partir daí acompanhamos uma jornada que mesmo contra o tempo, acontece sem pressa e parece até maior que apenas suas duas horas de projeção, sempre embalada por um clima de tensão que nem se deve ao perigo, apenas a eminência dele. É muito interessante notar como no primeiro terço do caminho dos personagens inclusive não acontece nada, aind…

Review: Parasita

Discrepância econômica e social talvez seja um dos assunto mais comuns a todos os lugares do mundo. O 1% privilegiado contra o 99% sem recursos é uma epidemia global independente de cultura, de idioma, é regra de qualquer lugar regido pelo capitalismo. Isso fica ainda mais evidente quando dois dos filmes mais aclamados do ano, Coringa e Parasita, abordam o tema em duas extrema pontas do mundo. E Parasita, por se passar em um cenário real e um ambiente comum a maioria, o familiar, pinta um retrato ainda mais forte sobre o assunto.

O filme nos apresenta a uma família coreana em situação bastante precária, vivendo dos centavos ganhados por caixas de pizza que montam, em um claustrofóbico apartamento no subsolo de uma região periférica, uma realidade que parece mudar quando o filho mais velho consegue um emprego de professor de inglês na casa de uma família rica. Sem mais detalhes sobre a trama, já que seu desenrolar é uma das melhores partes do filme, o que temos aqui é um suspense extr…

Review: O Escândalo

Em uma determinada cena não relacionada as principais protagonistas da trama de “O Escândalo”, vemos uma jornalista em uma reunião em um hotel, ansiando por uma promoção que pode ser a guinada em sua carreira, que se vê em meio a uma situação de assedio. Na cena vemos o dialogo acontecer enquanto ouvimos os pensamentos dela em contraste com o que ela diz, variando entre o desespero e as tentativas de contornar a situação, inclusive dizendo a si mesma para assumir a culpa sobre o que está acontecendo. A cena corta para sua demissão. Essa cena representa de forma objetiva o que vamos presenciar ao longo do filme, o desrespeito e a objetificação que mulheres encontram no mercado de trabalho perante a ação grotesca e machista de homens no poder, aqui especificamente do meio jornalístico americano.
O roteiro de “O Escândalo” é especialmente inteligente por se desenvolver através de três pontos de vista bastante diferentes, em momentos profissionais diferentes e que sofrem com assedio em …

Oscar 2020: Os Indicados

A Academia finalmente revelou os indicados ao Oscar 2020 e temos uma lista muito interessante (e questionável) para esse ano. O líder de indicações é Coringa com 11 indicações, por mais um ano a categoria de diretores é prioritariamente masculina enquanto outras começam a se diversificar, enfim, um ano polêmico. Confira os indicados: 
MELHOR FILME
Ford vs Ferrari O Irlandês JoJo Rabbit Coringa Adoráveis Mulheres História de um Casamento 1917 Era Uma Vez Em... Hollywood Parasita
MELHOR ATOR
Antonio Banderas - Dor e Glória Leoardo DiCaprio - Era Uma Vez Em... Hollywood Adam Driver - História de um Casamento Joaquin Phoenix - Coringa Jonathan Price - Dois Papas
MELHOR ATRIZ
Cythia Erivo - Harriet Scarlett Johansson - História de um Casamento Saoirse Ronan - Adoráveis Mulheres Charlize Theron - O Escândalo Renée Zellweger - Judy: Muito Além do Arco-Íris
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Kathy Bathes - O Caso Richard Jewell Laura Dern - História de Um Casamento Scarlett Johansson - JoJo Rabbit Florenc…

Review: Frozen 2

A sequência “dark and gritty” é um caminho comum em Hollywood, muitas sequências acabam se enveredando por um tom mais sóbrio e mais sério a fim de se diferenciar do longa original. Para a franquia Frozen, depois de um primeiro filme que flertou com esse tom, mas em grande parte de manteve mais próximo de uma animação Disney tradicional e que cinco anos depois já tinha passado por dois curtas, esse parecia o caminho ideal. E foi.
O primeiro filme já fugia da curva por se tratar de um amor de irmãs e não um romance, agora na sequência eles vão além e abrem mão de ter um antagonista, transformando esse em um filme puramente de auto descoberta, o que para mim foi uma das maiores forças dele. Além de se tornar quase um estudo de personagem tanto para Elsa quanto para Anna, o filme se permitiu lidar com traumas, incertezas e com isso ganhou nuances mais adultas, com momentos mais fortes. Não me entendam mal, ainda se trata de um filme infantil, mas que atende bem a adultos, ao contrário …