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Review: Bacurau

Eu vinha me perguntando os motivos quais, apesar de todo hype, não existirem conversas sobre Bacurau ser o nosso representante no Oscar 2020. Assistindo ao filme eu entendi as razões, da mesma forma como entendi a razão de todo o hype e entendi também que os trailers esconderam praticamente tudo sobre ele. O filme não é sobre o que eu imaginava, não é material para a academia, mas nossa, como ele é interessante.
O que mais me impressionou no filme foi a organização social da tal cidade de Bacurau. Minúscula, em situação bastante precária, mas sobrevivendo, a cidade tem na união da população sua força, mostrada logo no inicio do filme quando a cidade inteira é avisada da chegada do prefeito e consegue ignora-lo prontamente. Essa construção é essencial para quando, no terceiro ato do filme, a cidade vença seus antagonistas de forma orquestrada, tudo faça sentido.
A questão social é discutida no filme em várias vertentes, todas elas fazendo criticas sérias e sóbrias ao país e ao mundo, …
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Review: Coringa

Apesar de ter ganhado o renomado Festival de Cinema de Veneza, Coringa detém neste momento uma média de 69% por parte da crítica no Rotten Tomatoes. Algumas semanas antes de seu lançamento, uma polêmica surgiu baseada no receio do filme ser “irresponsável”, incentivar a violência ou o movimento Incel. A conclusão que cheguei após assistir ao filme é que a parcela da sociedade com essas reações não estava com medo do filme, ela estava ultrajada. Nada incomoda mais que o espelho. E é isso que Coringa coloca a nossa frente,um espelho do que uma sociedade decadente é capaz de fazer com seus cidadãos mais frágeis, uma sociedade que podemos reconhecer como quem vê o próprio reflexo.
Estamos acostumados a ir ao cinema para acompanhar a jornada do herói, clássica, que mostra os caminhos, os encontros e as oportunidades que elevam um ser humano ao status quo admirável, ao seu melhor. O que Todd Phillips fez aqui foi pela primeira (ou ao menos rara) vez apresentar a perfeita jornada do vilão,…

Review: IT – Capítulo Dois

O primeiro capitulo desta nova adaptação para os cinemas do que talvez seja o mais famoso dos livros de Stephen King foi um sucesso absoluto, com excelente recepção crítica, interesse do público e uma bilheteria de mais de $700 milhões de dólares mundialmente. Existe uma série de fatores relacionados a este resultado, dentre eles o momento de nostalgia que estamos vivenciando em diversas mídias, o apelo do conceito de “crianças versus monstro” super em alta na cultura pop com Stranger Things. O problema no caminho da sequência é que desde o material original, muito desse apelo se perdia na fase “adulta” dos personagens, considerada por muitos a metade menos interessante da obra. Bem, aqui também foi.


É preciso levar em conta que a perda do apelo das crianças dentro do contexto da historia era uma queda inevitável, porém esse segundo IT falha também em resgatar o máximo possível do que os personagens eram enquanto grupo. Sim, pois o elenco escolhido a dedo acaba conseguindo individua…

Review: Era Uma Vez Em...Hollywood

É possível afirmar, a critérios de recepção critica e bilheteria, que o diretor Quentin Tarantino ainda não fez um filme ruim, o que eu sustento em minha opinião também. Com seu histórico, eu também não esperava que ele fosse cometer sua primeira falha em um filme de elenco tão estrelado e centrado no tema que ele mais ama, no caso a indústria do cinema, tal como ele não o fez. Dito isso, esse “Era Uma Vez...Em Hollywood” também não é um dos seus melhores filmes, tendo um curioso principal ofensor: seu próprio histórico.
O principal erro do longa está no que ele prometeu e logo, ao que se comprometeu. Ao dizer que abordaria um contexto histórico, Tarantino remeteu diretamente a um de seus melhores filmes, "Bastardos Inglórios"(2009), criando uma expectativa de paródia/revenge story que não acontece. Na verdade o fatídico caso do assassinato de Sharon Tate por Charles Manson não faz a menor diferença no filme. O fato não contribui com nada além de emendar um núcleo ao terce…

Review: Turma da Mônica - Laços

Se você segue esse blog há um tempo médio ou me conhece há um tempo médio, você sabe que eu sou um leitor de quadrinhos e um grande fã de adaptações dos mesmos para o cinema, então esse pode parecer um review bem tradicional. Mas não se engane, existem camadas inéditas aqui. Primeiramente, estamos falando da Turma da Mônica, o quadrinho mais famoso da história do país, que marcou várias infâncias por gerações e a minha definitivamente não é exceção. Meu primeiro quadrinho foi uma "revistinha" da Mônica. Em segundo lugar, a HQ “Laços” foi um projeto especial da Mauricio de Souza em comemoração aos 50 anos do titulo, onde reinterpretações dos personagens foram feitas por artistas convidados. O titulo “Turma da Mônica” ficou nas mãos dos irmãos Victor e Lu Caffagi, que além de talentosíssimos, são meus conterrâneos de BH. Agora imaginem o nível das expectativas que eu tinha nesse filme. Pois todas foram alcançadas.
O que fizeram com “Laços” no cinema foi uma adaptação de quad…

Review: O Rei Leão

O longa original de “O Rei Leão” é uma animação da Disney no período que muitos consideram seu ápice, adaptando Hamlet na linguagem que fez o nome do estúdio, com apoio musical de Elton John e um cast de vozes que incluía Jeremy Irons e Whoopi Goldberg, dentre outros. Com essas credenciais não é surpresa que essa seja a animação de maior sucesso na historia, uma das mais amadas até hoje, considerada uma das maiores obras primas da historia da Disney. Por essa razão também, ao decidir fazer um remake do filme, seria necessário esforço para estraga-lo, o que jamais foi intenção dos envolvidos. Então, já de cara eu adianto: o novo Rei Leão é um bom filme. A questão é que quase todos os méritos disso são do longa original.
O novo modelo de animação ultra realista que Jon Favreau já tinha apresentado em “Mogli” e aqui eleva a outro nível é realmente impressionante. O diretor diz que existe uma única cena no filme que é gravada em um ambiente real e é impossível identificar qual seja, pois …

Review: Homem-Aranha Longe de Casa

Em uma cena das mais tradicionais (leia-se clichês) da jornada do herói tradicional, Peter está em duvida sobre si mesmo e ouve um discurso motivacional que tem a intenção de o fazer dar a volta por cima. Curiosamente, esse discurso não era sobre o quão bom herói ele é, mas sim como ele foi escolhido por Tony Stark, que viu potencial nele. Inclusive, quando ele reage e decide ir a luta, ao invés de sua música tema, ouvimos o tema dos Vingadores, seguido de uma mudança de faixa para o tema do...Homem de Ferro. Toda essa cena traduz pra mim o que foi esse “Longe de Casa”, mais um filme do Homem-Aranha que foi sobre várias coisas, menos sobre ele.
Eu fiquei muito surpreso como a sombra do Homem de Ferro em ausência conseguiu ser ainda maior do que foi em presença no primeiro filme do Aranha no MCU. Até porque, para começar, um filme de super heróis entrega um herói tão bom quanto seu vilão é, mas se todas as motivações e backgrounds do vilão do filme eram sobre o Homem de Ferro (sem ex…