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Review: Detetive Pikachu

Por mais que eu tenha meus guilty pleasures, é preciso admitir que até então Hollywood tinha falhado (ou pelo menos não obtido sucesso) em adaptar as franquias de videogames para o cinema. Tinha, pois Detetive Pikachu vem mudar esse cenário como o primeiro filme baseado em um jogo que consegue cumprir todas as suas obrigações enquanto versão cinematográfica.
O primeiro problema dessas adaptações vinha sendo roteiro, o que na mídia dos videogames tem uma estruturação bem diferente do cinema e acabava sendo traduzido sem ser repensado, e quando repensado, era da forma errada. O último Tomb Raider, por exemplo, que é um filme que eu gosto muito, tinha todos os seus problemas concentrados no roteiro. O que Detetive Pikachu faz é pegar um gênero bem especifico de cinema, os filmes policiais, e adaptar a faixa etária e a proposta do jogo, além de preencher com referências suficientes para que ele consiga ser um filme e uma adaptação do jogo ao mesmo tempo e de forma orgânica. Os plot twis…
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Review: Vingadores - Ultimato

Ao fim da sessão de “Vingadores Ultimato” eu tive uma sensação única, a de ter acabado de ver algo muito grandioso acontecer. Se eu puder comparar, me pareceu algo similar a quando vi “O Retorno do Rei”, “Cavaleiros das Trevas”, ou como dizem ter sido quando “O Retorno de Jedi” chegou aos cinemas, um marco na cultura pop, um evento que será lembrado nos anos pela frente. Esse era o plano do Marvel Studios quando criou o minucioso e engenhoso projeto de universo cinematográfico e eles conseguiram realizar com maestria.
Este “Ultimato” funciona tanto como filme individual, quanto “season finale” do grande seriado cinematográfico que se tornou este universo de heróis. É claro, enquanto filme evento, ele tem peso redobrado para quem acompanhou toda essa saga de vinte e dois filmes, uma saga qual ele inteligentemente homenageia e referencia, lembrando o quão gigantesco foi o caminho até aqui. Inteligência alias é a palavra que melhor define o roteiro do filme, que usa de sacadas excelent…

Review: Shazam!

Apesar de a essa altura ser passível de opinião (eu ainda acho Homem de Aço um ótimo filme), é inquestionável que o universo idealizado por Zack Snyder para a DC nos cinemas não conseguiu se conectar com o publico como precisava.Porém a correção de curso realizada com a mudança de nomes criativos e executivos tem tido sucesso em realizar essa conexão. A mistura do tom apresentado até então com algo mais esperançoso e fantástico no Mulher-Maravilha de Patty Jenkins apresentou um rumo pelo qual Aquaman de James Wann acelerou e esse Shazam agora faz uma constante. Se o primeiro apresentou a esperança e o segundo a imaginação, este vem apresentar o coração do universo DC.
Sim, pois coração é a palavra que melhor define Shazam,ele é um filme com o coração que se espera de uma criança e a força que se espera de um super-herói. Contando a historia de Billy Batson, um garoto órfão que é escolhido para se tornar um adulto super poderoso toda vez que grita “Shazam!”, o que acompanhamos aqui é …

Fox Agora é Disney: Isso Não é Uma Boa Notícia

Eu tenho sido veemente contra toda a situação da compra da maior parte do conglomerado Fox pela Disney desde que o acordo foi anunciado. Enquanto a comunidade nerd comemorava a possível volta dos X-men e do Quarteto Fantástico as mãos da Marvel, finalmente ingressando ao bem sucedido Marvel Studios, eu venho tentando debater que essa compra é muito maior que isso. A cada nova informação eu fiz postagens questionando o impacto negativo que a mudança teria no cinema como um todo e, agora que chegamos a uma realidade onde essa compra aconteceu, resolvi fazer esse texto argumentando do porque essa compra é uma péssima noticia.
A primeira coisa que precisa ser entendida é que Disney dessa vez não está adquirindo Marvel Studios, ou Lucas Films, ou Pixar, que lançavam de um a dois filmes ao ano. O 20th Century Fox era um dos seis maiores estúdios de cinema de Hollywood e um dos mais antigos inclusive, com uma agenda que chegava a DOZE filmes por ano, a par com Warner, Paramount, Universal …

Review: Capitã Marvel

Antes de qualquer coisa, preciso fazer um disclaimer aqui. Eu sou um grande fã da Capitã Marvel nos quadrinhos e em demais mídias e (especialmente após assumir esse manto de Capitã) Carol se tornou com o tempo a minha super heroína favorita dentro da casa de ideias. Preciso dizer isso para que se entenda que minhas expectativas com o filme eram extremamente altas e, tal como Mulher-Maravilha na DC, eu espera que esse se tornasse o meu filme favorito do Marvel Studios. Não foi exatamente o que aconteceu.
E não me entendam mal, Capitã Marvel está longe de ser um filme ruim. Ao contrário, no que diz respeito a contar uma tradicional historia de origem de uma personagem, ele marca todas as caixinhas de um debut no Universo Cinematográfico Marvel e não deve em nada as origens de Thor, Capitão América, Homem de Ferro e do atual Homem-Aranha. É aí que começa o problema. O filme é tão limitado a sua função que acaba resultando em uma produção que poderia facilmente ter sido lançada lá na pri…

Review: Roma

Artisticamente, há quem diga que um filme pertence ao diretor. Essa discussão rende bastante, mas focarei neste argumento pois é o que eu acredito a respeito de cinema. Note que um filme tende a desandar de verdade quando surgem problemas com a direção, seja porque ela foi displicente ou vetada. Quão mais pessoal o projeto é para o diretor, mais ele traduz aquele profissional. Conhecer um diretor de verdade é assistir seus projetos mais pessoais. Quando os créditos de Roma, logo em seu inicio, anunciam Alfonso Cuarón como roteirista, diretor e diretor de fotografia do filme, não restam duvidas, estamos prestes a o conhecer como nunca antes.
A critério de sua emoção individual enquanto filme, essa paixão já pode ser sentida se você assistir Roma sem saber muito dos detalhes do sobre como ele foi concebido mas é com a informação que seus significados se abrem (e ele fez questão de deixar isso claro na mídia). O que estamos assistindo aqui é a reprodução fiel da infância de Cuarón no M…

Review: Infiltrado no Klan

Quando bem usado o entretenimento pode ser uma arma poderosa. Uma mensagem transmitida através do humor tem um efeito ainda mais avassalador pois algo que nos diverte é absorvido com muita facilidade e o peso do que lhe foi informado só vem a ser sentido quando já está dentro de você, de maneira que após te divertir, te constrange. É exatamente isso que Spike Lee faz com esse Infiltrado no Klan, fácil meu favorito na disputa pelo Oscar até então.
Apesar de baseada em fatos reais, o que poderia ser convertido em um documentário ou biopic bastante sério, Infiltrado no Klan transforma fatos reais em narrativa cinematográfica. Com um humor nervoso que aposta no absurdo da historia sobre o racismo nos anos 1970, ele nos guia na empreitada de Ron Stallworth (John David Washington), policial negro que, com a ajuda do policial judeu Flip Zimmerman (Adam Drive), decide se infiltrar na cresce organização de extremistas brancos Ku Klux Klan. Nessa jornada encaramos momentos que vão da sátira a …