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Review: Alien Covenant


Primeiro de tudo, eu não tenho vivido essa discordância da maioria com Ridley Scott. Por mais que não esteja no mesmo nível do Alien original, acho Prometheus bastante competente em sua proposta e em Covenant, sequência direta dele, encontrei o mesmo cenário.

Arrisco dizer inclusive que este tem uma vantagem sobre Prometheus quando se trata do aspecto terror. A primeira coisa que mais gostei no filme foram os sustos que ele me deu, algo recorrente no original (que revi antes do filme), nem tão presente no antecessor a este, porém aqui voltamos a nós assustar. Eu tinha achado cedo mostrarem o monstro no trailer também, mas assistindo entendi porque não foi tão revelador, existe todo um processo até aquela forma e é aterrorizante, mas também descobri ao ver o filme que ele não é um filme de monstro.

Em Covenant eles competentemente continuam e até elevam o nível das discussões filosóficas exploradas no anterior, aqui sendo fortemente um filme sobre criação, sobre o que ela representa, sobre a relação criador VS criatura e etc. É curioso porque os filmes originais da franquia traziam discussões, porém elas não eram o foco principal, já nessa retomada ela se torna totalmente filosófica e é possível considerar isso uma sofisticação bem interessante da obra de Ridley Scott.

 Todo esse debate gira em torno de David, o robô interpretado por Michael Fassbender e que aqui faz uma performance ainda mais sensacional do que já costuma entregar. Aqui e através dele não só descobrimos como os Xenomorfos foram criados, mas porque eles foram criados, tudo relacionado a forma como David foi concebido por seu criador e como enxergou as limitações humanas, fora as que lhe foram impostas. David é um cientista, um experimentador, duas características fundamentais no processo criativo cientifico, o que até torna sua extrema crueldade justificável. Ele não se limita nos meios para chegar ao fim.

Esteticamente o filme funciona muito bem, apesar de claramente mais barato que Prometheus ($120 milhões contra $97 milhões), porém eu acho que essa diminuição de orçamento contribuiu bem para ser um filme em menor escala, o que no gênero funciona muito mais. O que não impediu que o filme tivesse cenas épicas como o flashback da chegada de David aquele planeta ou a luta contra o Xenomorfo do lado de fora de uma nave em movimento.

Meu único problema com o filme foi por acabar achando ele meio obvio. Em todos os momentos onde ouve uma morte ficou bem claro pra mim que ela aconteceria, fora a grande revelação do final que pra mim já estava bem clara também. No fim tudo foi mais assustador ou surpreendente pela execução do momento que pelo acontecimento em si.


Ainda assim, Convenant cumpre o que promete e entrega um filme objetivo, que consegue não soar arrastado em momento algum, o que tem sido raro hoje, e entreter. Poucas vezes concordei tanto com uma porcentagem de Rotten Tomatoes, mas ele faz jus aos 70% que recebeu da critica, talvez só tivesse sido mais inteligente se manter no nome das naves e não trazer de volta o titulo original. Manteria a individualidade que essa fase da franquia tem. De toda fora vale o ingresso.

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