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Review: Fragmentado


Se existia um consenso sobre Hollywood nos últimos anos era o de que o diretor genial e promissor M. Night Shyamalan tinha se perdido em algum lugar pelo caminho. As experiências tensas e maravilhosas proporcionadas por ele de “O Sexto Sentido” até “A Vila” jamais se repetiram nos filmes que vieram a partir dali. Até agora, pois é com muita alegria que confirmo: Shyamalan está de volta!
O que vemos em “Fragmentado” é toda a formula criada e desenvolvida por ele em seus primeiros filmes, aplicada com a maestria que só ele sabe fazer e parecia ter se esquecido de como. Roteiro, ambientação, plot twist, tudo trabalha para desenvolver uma trama complexa, instigante, proporcionando o suspense e horror psicológicos que espantam mais que qualquer filme de terror gore. Ele trabalha aqui não só a já desesperadora situação do sequestro, mas também a da instabilidade, a de não saber com quem se está lidando. Pior que um sequestrador maníaco, só um com 23 personalidades diferentes e que assumem a frente quando menos se espera.
Essas personalidades só são aterrorizantes e efetivas graças ao talento de James McAvoy (Kevin). Eu já era muito fã do jovem Professor Xavier, mas aqui ele mostra uma versatilidade absurda e um talento inquestionável. Com a câmera em maioria das vezes focada em seu rosto, ele consegue não só representar personalidades muito distintas de forma muito convincente, mas também transitar entre elas sem a menor dificuldade. Antes da metade do filme você já reconhece as principais, sabe com quem está lidando e está convencido de que ali está outra pessoa.
Outra que merece destaque é Anya Taylor-Joy com sua Casey que, diferente das outras meninas sequestradas, é de uma sobriedade digna de quem, ao contrário das amigas, não viveu sob proteção, claramente não compartilha da ingenuidade delas e é alguém que não encara aquela situação com pavor, mas como desafio. Tranquilamente a personagem poderia soar forçada, o mérito dela é fazer este perfil convincente como faz. Destaco também a menina Izzie Coffey, na expressiva versão mais nova da personagem!
Shyamalan é genial também em fazer de Cassey uma filha de caçador, em contraste com o alter-ego de “Besta” da 24ª personalidade do sequestrador, e com a revelação de onde ele vive. Os corredores da casa de Kevin, os cômodos que funcionam como pastas dentro de pastas que vão se abrindo, são inúmeras as analogias espalhadas pelo filme e que dão mais e mais profundidade a trama.
O que temos com “Fragmentado” e um novo clássico moderno do suspense, uma lista para qual o diretor contribuiu muito quando surgiu e finalmente volta a contribuir. Vale o ingresso, vale o replay, vale as indicações que há tempos ele não vê e a que McAvoy tanto espera.

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