Pular para o conteúdo principal

Review: La La Land - Cantando Estações


Existia algo de muito mágico na Hollywood dos musicais clássicos. Os cenários claramente artificiais somados as musicam orquestradas, tudo criava um mundo muito charmoso do qual, após visitar, você voltada ao seu mundo real com um sentimento gostoso, não importa qual, mas aquecia o coração. Pois é isso que La La Land resgata.
Mais que resgatar, o filme aplica toda essa magia nos dias atuais de forma eficiente. A ambientação obvia na Los Angeles das produções Hollywoodianas que poderia cair em lugar comum aqui serve perfeitamente, afinal não é um filme sobre o novo, mas sobre um contexto lendário que caiu em desuso. É reencontro, não encontro. E é graças a ambientação que conseguimos passear entre a vida real dos protagonistas e os momentos musicais do longa, por serem pessoas reais que se encontram na busca pelo sonho em meio as cidades cenográficas onde eles são construídos.
Com essa justificativa o filme perde o medo e aplica tudo o que é necessário para que voltemos a viver os tempos de Cantando na Chuva, desde as cores fortes e chapadas as montagens dinâmicas, seja para musicais quanto para cenas corridas. Curioso também os toques sutis de realidade e modernismo que o filme aplica, como um telefone que toca em momento X ou uma audição que é interrompida pelo pedido de um sanduíche.
Fora essas questões de técnica e representações, a historia do casal principal também é especialmente bonita e tocante. Eles são o casal perfeito cujo os sonhos não eram compatíveis, e é com uma crueldade doce que o filme nos mostra que não importa o quão potencial algo tem, se não é para acontecer, eventualmente não vai e tá tudo bem! Essa força doce da historia em muito é responsabilidade também do carisma absurdo dos protagonistas, com Ryan Gosling construindo com competência a ingênua alma “velha” de Sebastian; enquanto Emma Stone faz algo muito grandioso com sua Mia, fazendo você sair dali com a certeza de que atriz e personagem são e serão grandes estrelas do cinema.
E é assim, sendo honestamente doce, muito nostálgico e ao mesmo tempo contemporâneo, que nasce em La La Land mais um dos poucos musicais modernos que vão virar ícones, como foram Chicago ou Moulin Rouge. Um daqueles filmes que você vai ouvir a trilha e vai lembrar do qual gostoso foi. Vale muito o ingresso.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Por que o Live-action de Mulan Não Será um Remake da Animação

Assim como parte do publico pela internet a fora, eu vinha incomodado com o fato do live-action de Mulan estar tomando uma forma bem diferente da animação clássica de 1998 lançada pela Disney. Afinal, desde Cinderella (2015), o estúdio vem conquistando o publico adulto através da nostalgia, com versão “em carne e osso” das historias com as quais crescemos, acrescentando no máximo uma camada a mais nas modernizadas versões com atores reais em cena. Foi esse incomodo com a mudança de estratégia que me fez ir pesquisar sobre, o que acabou me fazendo entender os motivos por trás dessa decisão e inclusive me converter, pois comercialmente é sim o caminho correto a se seguir.
O que diferencia Mulan de projetos como Cinderella, Mogli e A Bela e a Fera é uma questão bem objetiva: a China. E não, a Disney não está tomando decisões por causa da cultura ou das tradições chinesas, longe disso, o que está sendo levado em conta aqui é o que pode fazer o filme ter um retorno financeiro melhor, e ne…

Review: Os Vingadores - Guerra Infinita

Dez anos se passaram desde que a Marvel Entertainment se recuperou da terrível crise financeira que enfrentou nos anos 1990, e através dos lucros alcançados com a venda dos direitos de seus principais títulos para estúdios de cinema decidiu caminhar com as próprias pernas por esse mercado, lançando o Marvel Studios. Dezenove filmes e uma absorção pelo gigantesco conglomerado Disney depois, o estúdio estreante mudou as regras do jogo, trouxe um conceito mais próximo do desenvolvimento de quadrinhos para o cinema e tomou a liderança do gênero, o que culmina no evento que é Guerra Infinita. E que evento!
Sim, porque acreditávamos ter presenciado um filme evento com o primeiro Os Vingadores, até mesmo com o segundo, mas se tínhamos, o conceito acabou de subir de nível com esse terceiro “assemble”. O que assisti ontem não foi um filme, foi uma experiência cinematográfica, foi algo inédito em escala, em conceito, em proporções! A promessa de um gigantesco crossover de quadrinhos reproduzid…

Review: Venom

Desde seu renascimento em 2000 com o primeiro X-men, as adaptações de quadrinhos seguiram um longo percurso. Hoje é possível dividir essa era moderna dos super heróis em duas fases: Entre 2000 e 2008, onde o cinema estava brincando com gênero da maneira que sabia ou conseguia, e o pós 2008, onde Cavaleiro das Trevas e o surgimento do Marvel Studios com Homem de Ferro redefiniram o conceito e a forma de trabalhar esse conteúdo. Mais recentemente, títulos como Logan, Pantera Negra, Deadpool e Mulher-Maravilha abriram novos e mais refinados horizontes cinematográficos para o gênero. Eis que agora vem Venom proporcionar retrocesso.
Sim, pois essa é uma perfeita adaptação de quadrinhos de 2004 ou 2006. Desde o roteiro recheado a clichês e diálogos absurdamente expositivos a um vilão da profundidade de um pirex que só aparece para reforçar artificialmente como é mal, o filme parece se esforçar em repetir erros que eu achei que o gênero já tinha aprendido a não cometer. Inclusive, o banal …