Pular para o conteúdo principal

Review: Moana


Depois da instável década de 2000, toda vez que o estúdio principal de animação da Disney lança um novo longa eu fico nervoso; “Será se vão a qualidade cai agora?”. Até hoje não aconteceu e na verdade a qualidade subiu muito de “Bolt” a “Zootopia”, um caminho que continua no lindo “Moana”!
Ok, talvez “Moana” apresente a jornada do herói mais tradicional, com uma protagonista em busca do que está além do mundinho onde cresceu e com isso conquistar liberdade e identidade. Mas qual o problema em repetir a formula mais fundamental do cinema? Em especial de maneira tão graciosa. Não falta charme, carisma e cores na animação e o objetivo da moça é convincente para que se compre a aventura.
Os roteiristas foram inteligentes também em dar a Moana toda a responsabilidade, porém de não colocar a trajetória toda sobre os ombros da moça, adicionando o semi-Deus Maui. Com ele vem todo o humor e o sarcasmo que falta na protagonista para não deixar a trama arrastada ou longa demais. Importante ressaltar também como não a fizeram menos protagonista por causa dele, ele é um side-kick. Quem diria termos uma personagem feminina com um ajudante quando sempre é o contrário, não é?
E talvez seja esse o maior trunfo de “Moana”, o trabalho de representatividade que ele faz, em escala maior que animações anteriores. Moana não é uma moça branca do sul da Europa com um romance, inclusive ela é a primeira protagonista na Disney a ter sua historia envolta em um romance! Além disso, ela é uma pessoa dos trópicos, e isso é exaltado em sua pele, em seu cabelo, em sua cultura e em sua música. Alias, a trilha sonora é cheia de tambores, de linguagens e ainda assim com o carisma pop do tipo a se procurar depois para ouvir.
Além de Maui, o filme traz outros coadjuvantes que enriquecem muito a historia e curiosamente todos eles trazendo uma graça a mais ao tempo de filme. Sinal de que os responsáveis sabiam que estavam contando uma historia que poderia se tornar arrastada, logo, quebraram o clima com gentileza. Enquanto a avó vem ser a tradicional voz da sabedoria, o mar e o galinho são cheios de personalidade mesmo sem dizer uma palavra!
Com uma historia fechadinha e uma solução graciosa para o vilão, “Moana” consegue entregar um bom filme em critérios de cinema e um bom avanço em critérios sociais. Muito simples, mas muito bonito e bastante representativo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Por que o Live-action de Mulan Não Será um Remake da Animação

Assim como parte do publico pela internet a fora, eu vinha incomodado com o fato do live-action de Mulan estar tomando uma forma bem diferente da animação clássica de 1998 lançada pela Disney. Afinal, desde Cinderella (2015), o estúdio vem conquistando o publico adulto através da nostalgia, com versão “em carne e osso” das historias com as quais crescemos, acrescentando no máximo uma camada a mais nas modernizadas versões com atores reais em cena. Foi esse incomodo com a mudança de estratégia que me fez ir pesquisar sobre, o que acabou me fazendo entender os motivos por trás dessa decisão e inclusive me converter, pois comercialmente é sim o caminho correto a se seguir.
O que diferencia Mulan de projetos como Cinderella, Mogli e A Bela e a Fera é uma questão bem objetiva: a China. E não, a Disney não está tomando decisões por causa da cultura ou das tradições chinesas, longe disso, o que está sendo levado em conta aqui é o que pode fazer o filme ter um retorno financeiro melhor, e ne…

Review: Os Vingadores - Guerra Infinita

Dez anos se passaram desde que a Marvel Entertainment se recuperou da terrível crise financeira que enfrentou nos anos 1990, e através dos lucros alcançados com a venda dos direitos de seus principais títulos para estúdios de cinema decidiu caminhar com as próprias pernas por esse mercado, lançando o Marvel Studios. Dezenove filmes e uma absorção pelo gigantesco conglomerado Disney depois, o estúdio estreante mudou as regras do jogo, trouxe um conceito mais próximo do desenvolvimento de quadrinhos para o cinema e tomou a liderança do gênero, o que culmina no evento que é Guerra Infinita. E que evento!
Sim, porque acreditávamos ter presenciado um filme evento com o primeiro Os Vingadores, até mesmo com o segundo, mas se tínhamos, o conceito acabou de subir de nível com esse terceiro “assemble”. O que assisti ontem não foi um filme, foi uma experiência cinematográfica, foi algo inédito em escala, em conceito, em proporções! A promessa de um gigantesco crossover de quadrinhos reproduzid…

Review: Pantera Negra

Antes de começar nossa conversa, gostaria de ressaltar que aqui discutirei apenas o filme enquanto produção. Existe uma forte e IMPORTANTÍSSIMA discussão cultural e social que é parte indispensável do longa, porém eu não faço parte dessa demografia, posso fazer uma ideia, mas não conheço essa importância, essa vivencia, então posteriormente pretendo convidar algum representante da comunidade negra para escrever sobre essa parte aqui.
Por hora, vamos discutir o filme, e que filme! Apesar de grande fã do Marvel Studios e defensor do reconhecimento de sua liderança no gênero de super-heróis, já venho a algum tempo criticando a falta de seriedade e o quê formulatico de seu universo, constantemente contendo suas produções em tom e não os permitindo “engrossar” a conversa. Pois finalmente o estúdio se permite ultrapassar esse limite com Pantera Negra.
Esse é sem duvidas um filme de super-heróis, porém ele é mais que isso. Aqui se fala sobre tradição, cultura, crença e especialmente se que…