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Review: Power Rangers


Poucas vezes uma campanha de marketing quis tanto convencer o público de que um filme era ruim como aconteceu neste “Power Rangers”. Posters ruins, trailers sem informação, uma música tema icônica regravada, porém nunca utilizada, tudo ia tão contra o filme que acabei o vendo apenas por falta de ingressos para sessão de outro filme. Foi na sessão que tive a surpresa: Apesar de prometer o contrário, esse reboot de “Power Rangers” é bastante competente!
O filme se inspira em “O clube dos Cinco” para desenvolver as relações entre os ainda não Rangers e consegue fazer algo que o “Quarteto Fantástico” de Josh Trank não conseguiu, gastar a maior parte de seu tempo focado no desenvolvimento de personagens, das relações e no preparo dos personagens para se tornar o time título, sem se tornar arrastado. Eu ainda não sei dizer se ele simplesmente executa melhor a proposta ou se ela era mais adequada a um conteúdo com menos obrigações, mas posso garantir que aqui funciona.
O trabalho aqui se preocupa em pegar personagens muito simples e de premissas muito simples e adicionar camadas que, como toda boa adaptação deve fazer, contribuem em expandir o cânone sem ferir o original. Isso se beneficia também por um elenco de jovens muito competentes, todos são convincentes não só na construção do próprio personagem, mas também na dinâmica com os outros.
Outro acerto do filme é que quando chega a hora, ele não se limita no abraço a cafonice da série noventista. A hora de morfar, a hora de pilotar os zords, a hora de montar o Megazord, é executada de forma sem vergonha, talvez um pouco rápida, mas fazendo jus ao que se espera de uma produção Power Rangers, apenas adicionando mais do gosto visual de hoje (nada de faíscas e poses perante explosões, graças a Zordon!)
Uma surpresa boa também está na Rita Repulsa de Elizabeth Banks. O criticado visual faz todo o sentido no contexto da história e a performance dela é tão afetada e exagerada quando necessário, porém com nuances de terror e impiedade muito funcionais. A partir dela surgem também os momentos de mais uso de efeitos especiais do filme e que sim, atendem a necessidade. Não são exatamente os melhores, mas o material dá essa permissão e não é feito para ser um filme caro também. 
Pode não ser o “Cavaleiro das Trevas” dos Power Rangers, mas essa nunca foi a proposta da franquia e acertadamente não é aqui. Dentro de sua proposta o filme entrega muito e estabelece uma franquia de muito potencial para velhos e novos fãs. Grata surpresa!

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