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Review: A Vigilante do Amanhã - Ghost In The Shell


Então que fui assistir ao filme mais polêmico de 2017 até o momento em que estou escrevendo esse texto. E com todas as headlines sobre boxoffice de protagonistas femininas, whitewashing e adaptação VS original, o que encontrei na sala de cinema foi um bom filme. Então, vamos discutir os assuntos que permeiam esse Ghost In The Shell.
Enquanto filme, essa versão tem muito a oferecer, especialmente em termos técnicos. A primeira coisa que mais impressiona é o mundo em que ele se passa, e a cidade velha, tão normal ao nosso tempo, porém revestida em hologramas coloridos faz um contraste não só com uma analogia de futuro, mas com o próprio titulo. A própria cidade é um fantasma revestido por uma capa comercial, manufaturada. O design de personagens também é impecável, prestando várias referências ao “cyberpunk” que o cinema já ofereceu antes, mas sem ultrapassar a linha do cafona. Gosto em especial do Batou de Johan Philip Asbæk e como ele evolui.
Já a critérios de adaptação, o filme se mantém bastante fiel ao original também. As mudanças que foram feitas serviram como uma maneira de adicionar gravidade a situação retradada, toda a questão a cerca da protagonista é bastante cruel aqui. Essa fidelidade inclui inclusive cenas chave, bastante épicas no anime, que são totalmente reproduzidas aqui.
A adaptação inclusive o que me traz a questão whitewashing. Claramente eu não sou a pessoa mais adequada para dizer se ele aconteceu ou não, portanto não vou confirma-lo, nem nega-lo, mas uma vez que essa acabou se tornando uma questão tão forte sobre o longa, vou dizer o que observei. Da forma como a questão vinha sendo apresentada online, eu cheguei a supor que a garota original e sua família tinham sido trocadas por atores americanos, porém Motoko Kusanagi e sua família se mantém japoneses tal como no original. Já a Major, o androide que recebe seu cérebro, este sim é caucasiano, tal como no original, isso inclusive servindo com o propósito de que aquela casca é um produto, algo artificial, o que não só a estética, mas também a mudança de nome enquanto robô representam. Me chamou a atenção também que o filme tem um elenco bastante diversificado, com uma gama considerável de personagens de etnias e nacionalidades diferentes, seguindo a linha de outros filmes como Rogue One ou Esquadrão Suicida.
Não é como se estivéssemos falando de um filme perfeito também. A volta dada do ponto inicial ao final é longa de uma maneira um pouco desnecessária e isso deixa o filme um pouco arrastado no segundo ato, erro comum em produções desse porte e que por alguma razão sempre acontece. E apesar de adorar Scarlet no papel, a forma de caminhar dada a Major ficou artificial de modo negativo, eu entendi a intenção, mas tirou o foco.
No fim eu acho que o maior inimigo do sucesso de Ghost in the Shell foi uma data de lançamento em meio a uma briga para a qual ele não tinha força de encarar (um lançamento antes de Março/No máximo em março talvez tivesse contribuído), sim pois eu ainda acho que dizer que o publico americano virou as costas para ele por whitewashing é ilusório. Americanos nunca tiveram cultura de anime, não gostam. Se algum público for base para este argumento que seja o oriental. Para o resto do mundo, acredito que seria uma experiência legal, mas infelizmente caiu em um momento onde entre outras opções, ele não foi escolha. Vale assistir de toda maneira.

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