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Review: Corra!


Antes de tudo, esse será meu primeira review com spoilers. Normalmente eu evito falar sobre a trama e as revelações de um filme, porém é impossível falar sobre “Corra!” sem discutir suas viradas, suas abordagens e especialmente suas intenções, então se continuar do segundo parágrafo em diante, esteja ciente que vai saber muito sobre o filme.

Acredito que a primeira coisa a ser esclarecida é que, apesar de ser vendido como tal, eu não achei “Corra!” um filme de terror, em muito porque se fosse, seria um filme bastante clichê. Para mim o longa é uma grande sátira, ambientada em um contexto de terror onde sua critica social fica ainda mais caricata e logo, mais forte! Falar sobre a abordagem do racismo no filme não é meu lugar de fala, porém a mensagem é bastante clara sobre o que o filme quer criticar e o faz de uma das maneiras mais geniais já vistas.

É genialmente cruel e bastante embasado na realidade tratar o pensamento preconceituoso como uma visão de soberania mental por parte dos brancos e soberania física por parte dos negros. Você trata em uma única criação de conceito discriminação, objetificação e várias outras questões. O filme inclusive não tem o menor medo de apontar os absurdos da discriminação racial, fazendo até mesmo uma referência direta a comercialização de escravos em uma cena de bingo! E a sacada do roteiro é essa, tratar como absurdo o absurdo e causar espanto com o quão enraizado na realidade o absurdo está!

Assistindo ao filme pude entender inclusive algumas reações negativas que ele recebeu. Primeiro vem da ousadia, ele afronta, ele aponta e ele tira sarro do absurdo social branco, sem ressalvas e como deve fazer mesmo. Segundo vem da expectativa; qualquer pessoa que foi assisti-lo procurando um terror certamente se decepcionou, pois ele claramente só usa do terror, do suspense e das viradas de trama para debater algo maior. Se você não consegue relacionar o que significa o mesmo homem que quer matar e vender o protagonista dizer que votou no Obama, você perde uma oportunidade enorme de fazer um panorama social muito forte! Entender o que ele está tentando dizer é a base para curtir o filme.

Extremamente bem atuado, bem dirigido e escrito de forma muito corajosa, “Corra!” vem de uma máxima que eu concordo muito, a de que não se revoluciona sem perturbar a “ordem” e é exatamente o que ele faz. Quebrando expectativas, quebrando cordialidades, ele não tem medo de chamar gente branca doida de gente branca doida, o que se faz mais que necessário. Como diz meu amigo Bruno Honório, o que eles tem que fazer é falar, é gritar, é berrar. E se tem algo que “Corra!” faz é dar um escândalo!

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