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Review: Mulher-Maravilha



Setenta e cinco anos, uma única série de TV, cinco versões do Batman, três do Superman e um debut fora do título como participação extra. Foi o necessário para que a Mulher-Maravilha, integrante da chamada “divina trindade” da Dc Comics, tivesse sua vez com um filme solo nos cinemas. Os motivos apresentados foram diversos, em especial sobre filmes de super-heroínas não emplacarem, mas finalmente o filme aconteceu e veio provar que quando o filme é bom, o gênero do herói em tela é indiferente.

O primeiro grande mérito do filme é do roteirista Allan Heinberg, pois a trama é bem amarrada e se justifica ao longo de toda jornada da personagem. Então, quando vemos sua revolta perante a hierarquia e posicionamento dos comandantes da Guerra, isso nos faz sentido, pois já vimos seu povo em combate (usando apenas um dos muitos exemplos ao longo das mais de 2 horas de filme). Fiquei muito impressionado também o quão funcional são as piadas do filme, pois não existe uma única que esteja fora de tom, contexto ou que não cole.

Isso se deve também as excelentes performances do filme, que tem uma escalação impecável, cada um encaixado na persona que interpreta com a exatidão do figurino que veste. Os maior destaque fica para Gal Gadot e toda a ingenuidade curiosa de sua Diana, que desconhecendo este mundo que veio desbravar faz questionamentos pertinentes sobre aquela sociedade com a inocência de quem não conhece a diferenciação social, desconhece preconceitos e hierarquias injustas. Seu papel só fica mais forte e complexo com a parceria e a química que ela tem com o Steve Trevor de Chris Pine, na melhor atuação que já o vi fazer, sendo interessante o suficiente para não ser ofuscado pela protagonista, mas sem jamais passar a sua frente.

Interessante observar também que o filme não tem um personagem desnecessário ou que passe batido. A mãe e a tia na protagonista são essenciais para a construção inicial de seu caráter desafiador, curioso e ingênuo; Etta Candy traz um necessário alívio cômico ao cenário da guerra; os parceiros de Trevor garantem diversidade de todos os níveis e aventura ao que seria uma jornada pesada, tal como os vilões, agregando um “que” de Indiana Jones ao filme.

Mas para mim o mérito maior vai para a diretora, Patty Jerkins. Provando que uma mulher consegue fazer muito mais com um grande orçamento que os homens que muitas das vezes o recebe sem ao menos um currículo justificável, ela consegue fazer a mágica de construir um filme leve, aventureiro e muito positivo no mais obscuro dos períodos. Seu longa é um festival de bom gosto, sabe encontrar e criar beleza em todos os cenários e tem uma das melhores sequências de ação já fornecidas pelo gênero.


Demorou, mas Mulher-Maravilha aconteceu e aconteceu no momento ideal! Para o DCEU, para a personagem, até para Gal Gadot que disse estar prestes a desistir de atuar quando conseguiu o papel. Que bom que ela não desistiu, que os envolvidos não desistiram da personagem e conseguiram a trazer a vida com tanta graça, com tanto amor e com tanta justiça. Todos os fatores que fazem dela a maior heroína da história estão ali e é isso que o tornou tão superior a outras produções de super heróis no geral. Não só vale o ingresso, vale a mudança que ele causa e vale sem dúvidas o posto de um dos melhores do gênero qual ele vem sendo colocado.

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