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Review: Dunkirk


Eu tenho em Christopher Nolan o que considero ser o melhor diretor moderno de Hollywood. Filme após filme ele vem se consolidando para mim como um diretor (e roteirista) elegante, intrigante e ainda assim, hollywoodiano. Pois Dunkirk só fez o manter no mesmo patamar para mais!

Ele sempre foi um diretor de assinatura, logo tem sua própria formula, e eu não vejo nada de errado em ter uma, contanto que consiga aplica-la de forma inovadora e a fazer continuar interessante. É o que ele faz. Ele tem explorado novos territórios, aplicado sua linguagem em contextos diferentes e apresentado o que seria a versão dele daquele tipo de historia. Aqui vemos duas, com um filme de guerra e um “baseado em fatos reais” pela perspectiva Nolan e que como em experimentações anteriores, é complexo, bonito e de deixar nervos à flor da pele.

Porém a primeira coisa que quero destacar não é trabalho direto de Nolan, mas sim do também genial Hans Zimmer. A música do filme é muito poderosa, tranquilamente o melhor trabalho dele dentre todos que já ouvi, fazendo uma mistura aterrorizadora e linda da musica com som de relógio e sirene de bombardeio que faz do filme ainda mais épico. Áudio alias é uma das maiores qualidades do filme, assisti em uma sala IMAX e eu recomendo muito, pois cada tiro, cada explosão, cada rasante de avião, é tudo muito forte, cruelmente alto.

Fotografia e direção são redundantes se tratando de quem se trata, mas a montagem do filme com a linha do tempo de cada núcleo separada por semana/dia/hora funciona perfeitamente, em especial para uma historia regida por tempo, que é contra o que todas as pessoas envolvidas estão correndo. A forma como esses diferentes relógios se encontram inevitavelmente é talvez a coisa mais genial que Nolan já realizou no cinema.

Interessante também a habilidade dele de transformar uma historia de derrota em uma sobre vitoria, o que poderia ter sido clichê, se ele não tivesse sustentado a humanidade, o extinto de sobrevivência daquelas pessoas. Não houve endeusamentos,  não se poupou crueldade compreensiva. É um filme que fala do desespero pela sobrevivência e todas as emoções que isso traz.

As atuações encontradas no longa são também de uma qualidade incrível, trazendo a necessária carga emocional para um cenário de guerra, em especial uma guerra perdida. O diretor também é conhecido pelo casting exemplar que sempre rendeu excelentes performances em seus filmes (você não, Marion Cotillard), e até a comentada escalação do ex-integrante de boyband (Harry Styles) se mostra acertada. Ele nunca escalaria ninguém por hype, o garoto é bom!


Épico do inicio ao fim, Dunkirk é a experiência cinematográfica carregada que se espera de alguém do calibre de Christopher Nolan. A capacidade dele como diretor pode ser vista até mesmo no curioso orçamento de $100 milhões que na tela parecem ter sido duplicados, com um resultado que não soa nada barato. Vale muito o ingresso e de preferência, na melhor sala disponível! 

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