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Review: Homem-Aranha: De Volta ao Lar



Lá fui eu, fã da série animada dos anos 1990 e dos filmes de Sam Raimi do inicio dos anos 2000, assistir ao novo Homem-Aranha. Apesar da citação anterior, fui de peito aberto, disposto a conhecer uma nova abordagem do personagem uma vez que, como grande defensor de adaptações, estou também sempre disposto a novas interpretações. E fiquei feliz em encontrar um Aranha bastante moderno, mas também bastante competente em sua proposta.

A grande verdade é que essa nova versão cumpre a ideia que a versão “Espetacular” com Andrew Garfield prometeu e não entregou, com o herói em escala menor, orçamento menor e mais voltado ao arco de Peter que de seu alter ego em si. Por essa razão eu também saí do cinema com aquela leve sensação de que este não é um Aranha para mim ou para a minha geração, pelo menos não em primeiro plano. Afinal, estamos acompanhando o crescimento de um adolescente atual completo, enquanto nossa versão do herói era um jovem adulto noventista. Porém entendo a necessidade dessa abordagem, personagem e titulo precisam ser renovados nessa segunda tentativa de reboot e uma vez que o filme assume essa proposta, a abraça e a executa com qualidade, não me sinto também em posição de reclamar.

Essa “menor escala” que mencionei funciona muito bem para trabalhar o clássico conceito de “amigão da vizinhança” que o personagem sempre carregou. Isso fica claro com o filme se passando mais nos subúrbios de Nova York que nenhum anterior, rendendo até mesmo uma piada sobre sua movimentação em ambientes sem grandes prédios que eu sempre imaginei. O humor é inclusive uma das maiores qualidades do filme, estabelecendo um clima muitíssimo leve e sem nenhuma piada que não funcione, o que combina muito com a idade do universo que está construindo. O que me leva a outra grande qualidade do filme, conseguir trabalhar um universo adolescente que não fica irritante para um publico adulto, uma vez que não me identifico com ele, porém consigo me relacionar e conviver com ele.

Se tratando de um filme mais centrado para personagens que para o lado épico de ser um herói, a performance de Tom Holland foi primordial para o bom resultado dele, e o rapaz entrega muito. Eu sempre tive e continuo tendo a versão de Maguire como “minha versão”, porém Holland pega sim o personagem para si. E se tratando de uma idade tão diferente, isso acaba não afetando minha relação com a primeira interpretação, o que representa mais um acerto na escolha de fase da vida dele neste reboot. Já o Homem de Ferro de Robert Downey Jr vem substituindo o arco “poderes VS responsabilidades” do Tio Ben, uma decisão acertada, e seu suposto excesso de presença sendo claramente uma má decisão do marketing. Sua presença é pontual, interessante e eu inclusive gosto mais dele aqui que na Guerra Civil.

O elenco de apoio é bastante bem empregado também. Os amigos de escola servem funções claras para a construção do personagem, Tia May abraça o diferencial de sua versão e combina com o Peter nessa idade, além de Michael Keaton entregando o segundo vilão realmente bom do MCU desde Loki.


É claro que o filme tem seus problemas, como a artificialidade do personagem quando em ação, no filme original não parecia tão artificial, a dependência um pouco exagera do universo MCU e uma pequena, mas importante decisão relacionada a uma personagem a fim de modificar que para mim, foi desnecessária. O filme também não tem nenhuma sequência memorável, ou épica, algo justificável apenas por sua dimensão como um todo.  Porém nada disso afeta o longa como um todo e o resultado final é leve, moderno, com um ar necessariamente “fresh” a uma franquia que sofreu um desgaste. Pode não ser o meu filme favorito do herói, que continua sendo “Homem-Aranha 2” (2004), mas stou ansioso para acompanhar o crescimento deste novo Peter Parker. 

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