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Review: A Múmia



Preciso começar este review dizendo que sou um grande fã dos dois primeiros “A Múmia” estrelados por Brendan Fraser no início dos anos 2000. Eles não foram grandes sucessos de crítica, nem grandes marcos cinematográficos, mas cumpriam com enorme competência a função entretenimento de um blockbuster hollywoodiano, tinham um elenco com muita química e carisma e os efeitos visuais eram excelentes. Basicamente tinham tudo que este reboot não tem.

Houveram muitos boatos sobre esse filme ter sofrido por interferências do estúdio e do próprio Tom Cruise, o que após assistir acho totalmente possível! A sensação assistindo é que quatros filmes diferentes correram na direção um do outro e o resultado do impacto foi o lançado. Sim, porque o filme claramente não sabe se quer ser uma aventura bem humorada como os anteriores, um terror ou um filme de ação tradicional estrelado por Cruise, o que resulta em um momento você está lidando com um personagem transformado num assustador zumbi, somente para mais a frente o mesmo surgir como um constrangedor fantasma com fins alívio cômico.

Fica muito claro também o desespero do estúdio em criar seu tal “Dark Universe”, anunciado poucos dias antes da estreia e logo após a logo deles na abertura do filme. Ao invés de contar objetivamente a historia deste monstro, somos obrigados a fazer paradas em subtramas para que seja possível apresentar questões de um contexto além do filme, o que nunca dá certo. É o caso Dr. Henry de Russell Crowe, que aqui é um grande chefe de meio de fase, com uma sequência enorme que contribui em zero para a história, inclusive nem muito claro o objetivo dele fica (e para eu reclamar da presença do Russell em um filme, tem que ter sido muito desnecessário). E eu não vou nem comentar a forçada de barra do terceiro ato, fazendo do protagonista algo nem sequer explicado.

Não que o filme seja um total desperdício, nunca é na verdade, e aqui não é diferente. A performance de Sophia Boutella como a monstro do título é bastante forte e tem um design de personagem interessante, e em dos tipos de filme que tenta ser, no caso o terror, o longa é muito competente. Se tivesse se focado em ser uma versão mais voltada pro terror certamente teria se saído muito melhor. Já não posso dizer o mesmo de Tom Cruise, que parece um personagem de outro filme ou ele mesmo apenas sendo, deixando claro que teriam se valido muito melhor de um outro ator no papel principal, tal como não tenho muitos elogios a estética e aos efeitos visuais, que funcionam pouco e em um filme absurdamente escuro. Se você apresenta efeitos questionáveis em uma boa história, bem contada, eu sou o primeiro a perdoar, mas aqui não entrega nenhum dos dois.

Esse novo “A Múmia” acaba sendo um daqueles casos de base para ser contra certos reboots. É possível identificar uma boa ideia, mas que é executada bem em apenas um quarto da tentativa e que se prejudica ainda mais tendo um trabalho anterior como comparação. Com “Drácula” (que inclusive prefiro em relação a esse) fingiram que não aconteceu e anunciaram seu universo compartilhado daqui, pois estou aguardando para saber se acabará como mais um "buzz single". Se não for, espero mais objetivo nos próximos monstros.

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