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Review: Okja



Essa é a minha primeira vez escrevendo sobre um filme do Netflix (acredito que na versão antiga do blog não escrevi sobre o excelente Beasts of no Nation), porém se tratando de um filme que concorreu em Cannes, acredito que ainda estou dentro da proposta da página. De toda maneira Okja está longe de parecer um filme “televisivo”.

Desde a primeira cena o longa tem ares cinematográficos, com cenários e paisagens imponentes e deslumbrantes, seja na cidade ou na floresta coreana. Inclusive a primeira grande qualidade do excelente filme está na direção, de extremo bom gosto e no que tem sido comum esse ano, trazendo diretor que conhece “épico”, sabe ser. A coisa que mais impressionou no filme foi sua magnitude, mesmo que ela não seja expositiva, não é um grande filme de ação afinal, mas ele soa grandioso quando assistido.

Tão impressionante quanto é o trabalho de VFX do filme, pois a composição do super porco além de muito convincente é linda, construindo um animal que alude a "bicho de fazenda", ou comumente criado para abate, com bicho de estimação. Apenas tente não querer ter um. Esse trabalho inclusive foi primordial para a construção narrativa do filme, que fica grave e emotivo antes de tudo porque você se importa com aquele animal, e claro, com a sua relação com a menina que o criou.

A menina, interpretada pela jovem Seo-Hyeon Ahn é um achado. Extremamente expressiva, ela consegue ser cativante e convincentemente determinada, você confia no seu objetivo e torce por ela. Elenco também é um dos grandes trunfos do filme, pois a performance da protagonista fica ainda mais impactante com a excentricidade que os veteranos e sempre competentes Tilda Swinton e Jake Gyllenhall empregam aos vilões. Suas caracterizações também contribuem muito para esse “freakout” que permeia a historia, é muito bacana ver um filme onde diferentes fatores e setores trabalham tão bem juntos para compor o todo.


Mesmo tendo sofrido questionamentos em Cannes, Okja traz uma mensagem muito forte. Ao contrário do que ouvi por aí, não achei sua historia levantadora de bandeiras ou forçada, ela desenvolve uma representação da realidade do grande mercado alimentício, dos criadouros e dos matadouros qual temos plena consciência, e que como deixa bem claro seu final, é tudo sobre negócios. O diretor Joon-Hoo Bong , que também escreve o filme, viu uma oportunidade em um contexto muito real de contar uma historia muito sensível e a usou de forma forte. Afinal, não é sobre isso fazer cinema? Não tem ingresso, mas vale muito assistir!

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