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Review - IT: A Coisa



O relacionamento entre o cinema e as obras de Stephen King é longo, você encontra adaptações de sua obra desde O Iluminado até o mais recente A Torre Negra. Foram proporcionados vários altos e baixos, com um dos maiores momentos sendo a minissérie televisiva dos anos 1990 de It – A Coisa, chamado de “Uma obra prima do medo”, um marco inclusive pela performance de Tim Curry no papel do palhaço Pennywise. Pois comparações a parte, com a nova adaptação, IT volta a ser um marco.

A primeira coisa que preciso discutir aqui é o fato de que, pelo menos nessa nova versão, não se trata propriamente de um filme de terror, não aquele terror convencional, focado em assustar e etc. Ele assusta, e talvez seja bem eficaz nessa parte com um publico que tal como eu é fraco para o gênero, porém quem for ao cinema buscando as experiências da franquia Invocação do Mal, por exemplo, talvez venha a se decepcionar. Este filme é sobre os desafios e perigos que se pode enfrentar na adolescência como bullyng, racismo, sexualidade e até mesmo pedofilia; é sobre família e amizade (no melhor e pior dos lados), tudo isso trabalhado em um contexto de terror.

A grandiosidade desse filme se resume a roteiro e atuação. A historia foi incrivelmente adaptada para linguagem cinematográfica e não usar flashbacks, mas sim fazer esse primeiro capitulo voltado para a adolescência dos Loosers, foi o melhor caminho (para quem não sabe, o livro e a minissérie se passam em dois momentos, na adolescência e na vida adulta dos personagens). Você tem tempo para conhecer cada um deles, o que dá contexto aos seus medos quando atacados pelo palhaço, além de conhecer a cidade e aos coadjuvantes que a fazem tão estranha. É uma população medonha. Porém isso não seria eficiente se não fosse a atuação do elenco, dando a Hollywood uma lista completa de novos talentos com extremo potencial. Cada um deles tem uma performance solida e única com seus respectivos personagens, tornando o grupinho muito interessante e diverso.

Isso não significa que quando se trata do palhaço ele não entregue. A interpretação de Bill Skarsgård traz um Pennywise inteligente, argumentativo e articulado, claramente o pior tipo de monstro a se enfrentar, afinal, é um monstro esperto, que sabe o que está fazendo. Você quase sente que pode ter uma conversa completa com Pennywise. A interpretação corporal também é fantástica, com o filme usando mais efeitos práticos que especiais e permitindo ao ator fazer dele fisicamente perigoso também.  


A nova versão de IT – A Coisa se torna um evento da cultura pop (o que fica claro no resultado inicial da bilheteria) por atualizar o contexto que já tinha sido vencedor com mais camadas, com mais profundidade. É o exemplo perfeito de aproveitar um momento de nostalgia em alta a favor de uma nova interpretação de algo clássico. Um reboot que quando anunciado soou muito gratuito e provou totalmente que não é, existia mais a contar aqui e conseguiram, proporcionando a audiência de 2017 um terror muito sofisticado, como raramente temos. Valeu muito o ingresso e a noite mal dormida!

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