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Review: Blade Runner 2049



Antes de falar sobre o novo Blade Runner é interessante fazer um pequeno panorama sobre o filme original. Lançado em 1982 ele se tornou um clássico Cult que influenciou animes e filmes de ficção cientifica que vieram depois dele ao ponto de que se você nunca o assistiu e for o assistir hoje (como eu fiz), vai perceber que passou a vida assistindo a vários filmes que fizeram referencia ou se inspiraram nele. Apesar disso o filme foi um fracasso de bilheterias quando saiu, se tornando um clássico posteriormente no home vídeo e eu acredito que isso tenha acontecido pelos mesmos motivos quais a sequência segue o mesmo caminho.

Primeiramente eu preciso falar o quão lindo ele é. O diretor Denis Villeneuve e seu recorrente parceiro de fotografia Roger Deakins (essa é a segunda parceria, a primeira foi Sicario) já são conhecidos pelo trabalho visual de seus filmes e aqui eles tiveram uma das melhores bases artísticas do cinema sci-fi pra trabalhar em cima. Isso resultou em um filme que não só convence como uma continuação do trabalho original (é aquela terra desenvolvida décadas depois), mas também impressiona muito, com milhões de frames que poderiam fácil se tornar wallpaper ou capas de redes sociais por aí. Existem duas sequências que particularmente merecem destaque, sendo a primeira uma briga em um show holográfico de Vegas que imprime mil conceitos, inclusive o de velho e novo e do que sempre será funcional esteticamente. A segunda é uma criativa cena de sexo em um apartamento trivial, mas que define o conceito de sci-fi.

Em critérios de atuações é um elenco muito consistente em todos os seus trabalhos que aqui não faz diferente, porém acho importante destacar o quão excelente Ryan Gosling está nesse filme. Ele faz um personagem que precisar ser isento de emoções ao mesmo tempo em que carrega a responsabilidade de protagonista, que é a de cativar, e como ele faz isso bem! Ao mesmo tempo em que eu estava convencido da indiferença emocional dele, eu também consegui ter empatia por seu personagem e sua jornada, em especial sua esperança, o que deu competência total ao plot twist do filme. Do contrário não faria a menor diferença.

Mas o filme tem sim defeitos e eles nos ajudam a entrar em um ponto importante, uma vez que a essa altura ele já tem aí mais de uma semana em cartaz e já temos um resultado de bilheterias, que foi bastante ruim. O primeiro erro foi claramente do marketing. O filme teve uma boa recepção critica e eu entendo que quiseram contar o mínimo possível, porém se você apresenta apenas o quão artisticamente bonito um filme é junto a uma marca e trinta anos atrás que não tem uma legião de fãs ou algo assim, o grande publico não investe. Esse publico trivial de cinema não vai pagar por algo sem saber do que se trata. O segundo erro do filme está no desenvolvimento. O primeiro e o terceiro ato do filme são interessantíssimos, porém o segundo além de longo é parado e arrastado, até mesmo pra mim que tenho muito habito de ir ao cinema e lidar com diversos gêneros. Eu não me assustei quando vi desistências dentro da minha sessão.


Com isso, Blade Runner 2049 serve como uma lindíssima visita a um dos mundos mais interessantes já criados pelo cinema, mas exige demais da audiência. Mesmo que o desenvolvimento do filme se mantivesse, sustentar sua visão artística é importante, ele devia ao menos ter contado mais e gastado menos, pois esses $155 milhões aparentemente vão no máximo se pagar. Fica a torcida para que pelo menos se torne o Cult que o original se tornou a longo prazo, pois merece ser reconhecido pela obra visual que apresentou. 

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