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Review: Liga da Justiça



Poucas vezes eu quis tanto ver um filme estrear. Para alguém que como eu, acompanha o noticiário hollywoodiano diariamente, todo o processo de produção, divulgação e lançamento deste filme foi extremamente exaustivo, focado em noticias sobre direção, produção, bigodes, e até mesmo sobre a permanência de atores para DEPOIS do filme, numa tentativa incansável de estabelecer que ele não viesse a funcionar. Bem, isso pode até ter se tornado verdade em critérios de bilheteria inicialmente, mas no que diz respeito ao longa em si, fico feliz em dizer que, apesar dos pesares, o saldo foi positivo com um filme bastante divertido.

Alias, “diversão” é a palavra mágica sobre Liga da Justiça. Claramente houve uma correção de curso no tom qual a DC vinha construindo seus filmes, em especial quando Joss Whedon assumiu este aqui. Essa nova e divertida pegada aplicada ao filme conseguiu superar problemas de historia e roteiro que ele tem, tal como um vilão bem qualquer coisa, o transformando em um entretenimento básico, que cabe inclusive nas “só” duas horas de projeção, e que por se comprometer em apenas entreter, entrega.

Essa responsabilidade não é apenas do tom, mas também da excelente química do elenco. Um time só funciona se os membros funcionam interagindo entre sim, e essa é a maior força da Liga. É até bastante inteligente terem percebido que um tom mais descomprometido funcionaria bem devido a boa interação dos personagens, sabendo como os relacionar separadamente e como um todo. Não que alguns desses momentos não forcem um pouco a barra ou soem repetitivos (quem viu os trabalhos de Joss Whedon na Marvel vai reconhecer algumas coisas aqui), mas de novo, o clima descompromissado permite e faz funcionar. Nada disso colaria na seriedade, na sobriedade de Batman V Superman.

Sobre o elenco, dentre os que já conhecemos para mim a melhor surpresa fica por conta de Henry Cavill, que finalmente abraça o Superman clássico e tem a oportunidade de usar seu carisma no personagem, o que ele tem de sobra. Gal Gadot continua um achado, brilha no papel, e eu gosto muito da diferença que ela aplica na Diana dos dias atuais, muito mais firme que em seu filme solo. Digam o que quiserem sobre Ben Affleck, seu Batman e seu Bruce Wayne continuam os meus favoritos, gosto desse ar mais experiente, e continua muito consistente mesmo em um clima mais leve. Ray Fisher tem um arco muito interessante com seu Cyborg, enquanto Jason Momoa cabe como uma luva no papel de Aquaman, precisando talvez apenas diminuir um pouco nas piadas, que nem sempre colam. Já Ezra Miller está impecável e divertidíssimo, alguém só precisa o ensinar a correr e não patinar.

Sobre a produção, os efeitos especiais deixam explicito o quanto essa mudança de rumo foi apertada, e talvez o time de VFX precisasse de mais tempo para finalização, mas honestamente não é nada que te tire do filme. Danny Elfman fez um trabalho interessante misturando temas clássicos com uma trilha nova (no caso da Mulher-Maravilha a faixa ficou impecável), talvez pudesse até ter pesado mais a mão nos temas de Batman e Superman. Agora no que era mais preocupante, não, não parece que estamos assistindo a dois filmes distintos de pessoas distintas, pelo menos não de maneira tão grave, e isso é mérito da experiência de Whedon em pegar trabalhos já em andamento.


A grande verdade é que Liga da Justiça pode não trazer nenhuma inovação ao gênero de super-heróis no cinema e sequer trazer nada de novo (infelizmente a cartada dos heróis reunidos já tinha sido queimada no anterior), porém ele cumpre seu objetivo enquanto entretenimento. Se você não tem muito a oferecer não pode exigir muito do expectador, e o filme sabe disso. Claramente a correção de rumo foi um passo correto, é só ver o quão mais esse filme agradou a critica e publico que Batman V Superman e é uma pena que não tenha sido feito mais cedo na produção. Apesar disso, com o que temos o saldo é bastante positivo e me deixou ansioso para reencontrar a Liga. 

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