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Review: Star Wars - Os Últimos Jedi



Eu reconheço os muitos méritos que O Despertar da Força tem e alcançou para a franquia Star Wars. O filme se manteve fiel aos conceitos e tons da saga original, ainda assim fazendo um balanço perfeito entre o nostálgico/clássico, conseguindo conversar com o público original. Dito isso, é inegável que o filme foi um grande recall do Episódio 4 em toda a sua estrutura, o que foi seu ponto mais fraco e é o mais forte deste Episódio 8: ser um capítulo totalmente inédito na jornada pela galáxia tão tão distante.

Seja no tom, na narrativa, nas decisões, na execução, tudo cheira a novo em Os Últimos Jedi, incluindo a interpretação dos personagens mais antigos restantes. Sim, pois estavam tão dispostos a entregar um filme não visto antes que até Luke, Leia e outro personagem surpresa aparecem aqui mostrando um lado que ainda não conhecíamos.  Mais que isso, a rebelião e o “império” tem novas nuances exploradas, revelando aqui fragilidade estrutural e até mesmo tendo seus lados expostos eticamente, através da inteligente participação de Benicio Del Toro (sempre excelente) no filme. Isso tudo culmina nas mensagens que o longa tem intenção de passar, que são também novidade e bastante fortes, e que corajoso ver os novos protagonistas sendo colocados a prova e errando. foi isso que permitiu que a primeira delas fosse entregada, a de aprender com os mais velhos, com quem já viveu muito. Outra importante e brava decisão vem na revelação dos pais da Rey, que trabalham diretamente o conceito da força e a segunda mensagem, de que ela pode nascer em qualquer lugar.

Esteticamente este também é o filme mais diferente da franquia, e eu arrisco dizer o mais épico. Fiquei muito impressionado com o trabalho de fotografia de Steve Yedlin nesse filme, pois cada plano, cada quadro, parece pensado como um wallpaper, como uma arte a ser usada posteriormente. Curioso porque eu sempre tiro sarro dos Michael Bays da vida e seus "contra luz" e explosões, mas aqui vemos que é possível usar desses artifícios de forma elegante e útil. Acredite, até o sal que cobre o chão de um lugar tem função além da estética. Dá pra gente englobar aqui também os efeitos especiais do filme, que trazem de volta o uso de efeitos práticos para espécies de forma mais que bem vinda, e usa os CGI e soluções digitais de forma bem criativa. Ouvi reclamações sobre as lutas com sabre de luz, mas particularmente as achei muito inventivas.

Não é como se o filme não tivesse seus problemas, ele tem, como todo grande filme. Todo o arco do Finn é voltado para trabalhar uma das mensagens do filme e eu entendi isso, porém acaba sendo desnecessário uma vez que essa mensagem já é fortemente trabalhada no arco do Poe e de forma muito mais eficaz. Poderiam ter colocado o personagem em função mais útil a trama, apesar do claro desenvolvimento que teve. A redução do tempo de duração também se fez clara com o desenvolvimento de outros personagens, que me passaram a impressão de que tinham mais a fazer e isso acabou morrendo no chão da sala de edição.

Apesar disso, esse ainda é o capítulo mais sólido da saga desde a trilogia original por elevar seu nível e finalmente ser um momento inédito para essa guerra. Aqui sim senti que estava vendo todo esse universo sendo usado de maneira mais imaginativa, mais de acordo com o que é possível realizar hoje, resultando em um filme épico, surpreendente e lindo, sem perder a identidade Star Wars, apenas se arriscando mais.  Não cabe dizer que vale o ingresso, pois isso não é um filme, é um evento e deve ser conferido, mas é super positivo. Espero que esse momento de originalidade não passe com a volta de JJ Abrams no Episódio IX.

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