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Review: Viva - A Vida é Uma Festa



A essa altura já podemos afirmar sem riscos que o estúdio Pixar da Disney é mais forte quando se dedica a historias originais. Nada contra as sequências feitas por ele até hoje, nenhuma delas rendeu um filme que possa ser chamado de ruim e inclusive eles já criaram uma das melhores trilogias do cinema (Toy Story). Mas é só eles lançarem um original que a magia que fez o nome desse estúdio vem a tona, como é o caso de Viva.

A primeira das muitas maravilhosas sobre essa animação é a imersão em uma cultura que quase nunca é abordada em Hollywood, alias, nem me lembro de ter visto a cultura do México trabalhada dessa forma. Essa é mais uma daquelas experiências Pixar onde você tem uma aula, eu inclusive conheci várias coisas que eu não sabia sobre o folclore e a cultura desse país. Eu não via essa aula acontecendo desde Procurando Nemo, o que é sempre uma excelente oportunidade e adiciona uma camada a mais de relevância ao que poderia ser só mais uma boa animação.

E justamente pela imersão cultural que eu recomendo muito que se procure depois do filme a trilha em espanhol, uma vez que o filme só chegou aqui dublado em português. Como em grandes filmes Disney a musica faz toda a diferença, e neste em especial ela é parte do enredo e foi toda pensada para representar a música mexicana, um trabalho bastante bonito.

Mas nada é mais bonito no filme que a historia e a mensagem passada, que foi construída, de novo, em cima dos costumes do México, mas com uma palavra universal: família. E digo que não tem nada mais bonito no filme pois ele foi escrito de forma muito inteligente, para que qualquer cultura que não se relaciona com o dia dos mortos e a morte da mesma forma que aquele país possa abraçar a proposta e entender como eles veem. Existe até uma critica social bem curiosa que acho importante destacar, quando saímos do mundo “classe média” dos mortos e vamos para a periferia, onde vivem os esquecidos.

Juntando isso a personagens olhudos e carismáticos que só a Disney sabe fazer e visuais incríveis e inventivos para criar o mundo dos vivos e dos mortos, o que fizeram aqui foi uma obra-prima moderna, um daqueles clássicos instantâneos que tem significado, discute e encanta. Viva é o que se espera que toda animação boa de verdade seja. 

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