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Review: Me Chame Pelo Seu Nome


Eu concordo que a premissa de um romance homossexual já teria seus pontos comigo só pelo tema. Sem duvidas, é mais fácil para mim me relacionar com a história, com os personagens, mas isso não muda o fato de que se fosse um filme mal feito, ou mal atuado, esse “crédito” não seria suficiente. Pois para a minha sorte (e da minha comunidade que aqui se vê por um raro momento representada) esse Me Chame Pelo Seu Nome é lindo e antes de tudo, a critérios de cinema.

A primeira coisa que me saltou aos olhos durante a sessão foi o quão visualmente elegante o longa é desde o primeiro frame. O filme tem ar de clássico e isso se deve em parte pelas locações belissimas na Itália, mas também pela forma como foi filmado, e o diretor de fotografia Sayombhu Mukdeeprom me pareceu explorar tanto a imagem mais cinematográfica que se tem do país, quanto a mais realista. Eu me senti sempre passeando entre o turistar e assistir filme durante toda a exibição. Outro ponto visual forte do filme está na ambientação e no figurino, que te levam para um anos 1980 menos caricato do que é costumeiro em produções que se passam na época, parecendo mais um antigo álbum de família.

A critérios de história, quando você deixa de lado as ironias e se permite levar pela magia do cinema (eu mesmo brinquei sobre como a vida sexual do gay branco, rico e europeu começa diferente da nossa no meu twitter), é um romance bastante bonito e trabalhado de forma bem interessante. Por mais clichê que possa ser o “primeiro eles se odiaram”, dar tempo até que os dois aconteçam foi inteligente justamente por terem aderido a urgência dos dois quando finalmente se descobrem, e também ao drama do arrependimento a despeito do tempo perdido. A abordagem da relação da família de Elio com a situação, que é tão sutil e termina tão profunda, também é outro ponto altíssimo do que contam aqui.  

A critérios de atuações a indicação ao Oscar foi muito acertada. É de Timothée Chalamet o crédito emocional do filme, com uma performance convincente de uma juventude protegida, mas que reflete a condição intelectual e social de sua criação, o que claro tem toda uma contribuição do roteiro, porém é concretizado na performance. E não é que Armie Hammer tenha feito uma performance ruim, longe disso, mas a intenção do personagem é ser o objetivo de sedução, o galã, e ele entrega com personalidade, porém não é um trabalho exatamente inovador ou impressionante.

O que Me chame pelo seu nome proporciona ao fim da sessão é um cinema elegante em diversos aspectos, com uma história de amor bonita eu que começa e acaba com as histórias de amor menos floreadas tendem a começar, com os corações que parte pelo caminho e com um objetivo cumprido de fazer de uma relação homossexual algo tradicional numa representação cinematográfica. Vale muito o ingresso.

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