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Review: A Teoria de Tudo


Escrevi esse review na antiga versão do blog quando A Teoria de Tudo foi lançado nos cinemas. Em homenagem ao lendário Stephen Hawking, que nos deixou na noite de ontem, resolvi resgatar o texto. Descanse em paz, Stephen!
Adaptando o livro biográfico de Jane Wilde sobre seu relacionamento com o renomado físico Stephen Hawking, acompanhamos no filme toda a trajetória do casal, desde o primeiro encontro na faculdade, até o fim da relação matrimonial e a extensão a relação de amizade. Todo desenvolvimento de narrativa é composto para tratar esse como um longa clássico, ele se desenrola com elegância, suas viradas de história não são brutas (talvez a primeira seja), e ele segue uma linha de tom único, mas não menos interessante.
E apesar da beleza do filme, que trabalha a época com cuidado e transita entre um tom pastel a cores opacas numa linha do tempo bem sutil, nada é mais impressionante que a atuação do protagonista.  Eddie Redmayne compõe seu Stephen com maestria, e o trabalho de caracterização o leva a status de perfeição na interpretação do físico, que tal como o personagem consegue ser complexo e interessante mesmo com a delimitação motora. Vejo poucas possibilidades dele perder a estatueta.
Já Felicity Jones, mesmo aclamada pela critica e indicada ao prêmio, de alguma forma deixou a desejar pra mim. Talvez porque eu esperava que o filme fosse narrado pelo ponto de vista dela já que vem do livro da mulher por ela interpretada, ou talvez porque eu esperava que sua Jane fosse mais impactante, fiquei com um gosto de “esperava mais”. Entendo também que essas responsabilidades são do roteiro, e se é isso que ele pediu ela o fez de forma competente, mas minha expectativa com a personagem me traiu.
Com tudo que vi da corrida pelo Oscar desse ano até então, Teoria de Tudo é certamente o mais clássico e elegante deles. O filme é sério, trata de uma vida superação, de conflito de ambos os lados, mas faz questão de relatar tudo sem urgência, ou emergência, e mesmo tão grave é até muito doce. Se esse for um ano da academia de cinema sendo tradicional, já temos um grande campeão e será merecidamente.

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