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Review: Tomb Raider - A Origem




Adaptação de vídeo-game é talvez o único gênero que nunca conseguiu verdadeiramente emplacar no cinema, pois até hoje não tivemos um único filme que conseguisse ser abraçado por critica e publico ao ponto de alcançar os níveis de sucesso de adaptações literárias ou filmes de super-heróis. A barra para esse segmento é tão baixa que certamente o seu favorito é um guilty plesure, tal como meu favorito até então admitidamente não é um bom filme. Curiosamente, o melhor filme do gênero para mim e para muitos é justamente um Tomb Raider (Lara Croft: Tomb Raider – A Origem da Vida, 2003) e que esse reboot, apesar de não elevar a categoria como ela precisava, consegue superar.

Mais de oitenta por cento do acerto dessa versão recai sobre os ombros de sua protagonista. Eu adoro a versão de Angelina Jolie da personagem, ela certamente representa a Lara Croft clássica e é certamente o que o publico queria no inicio dos anos 2000 (não atoa é até hoje a maior bilheteria do gênero). Porém, a versão de Alicia Vikander é a heroína que os dias de hoje precisam. Ela é antes de tudo realista, física e emocionalmente, uma garota que você poderia conhecer na academia, em uma aula, no dia a dia. Extremamente carismática e fácil de relacionar, a moça é empática o suficiente para que você não só se simpatize, mas também se importe com ela, e é isso que um filme precisa para que você queira acompanha-lo até o fim. É a protagonista perfeita. Inclusive acho importante destacar o preparo físico da atriz para o papel, exibindo uma forma que justifica o que a personagem consegue fazer durante a aventura.

Infelizmente o filme não caminha no mesmo nível da performance de Vikander. Não que ele seja um filme ruim, seria impossível ser com uma personagem tão interessante a frente, porém ele não consegue ultrapassar o limite do “ok”. O maior responsável por isso é sem duvidas o roteiro, que é bastante preguiçoso nos diálogos e não consegue seguir um caminho tão firme no desenvolvimento da historia quanto faz na construção da personagem. Incomodou particularmente também um erro que acredito ser do diretor de fotografia e que vi reclamações por parte da critica, que é o aspecto “seco” que o filme tem, meio sem vida, que aparece mais precisamente quando Lara chega a ilha. Talvez uma paleta de cores menos apoiada no marrom tivesse deixado o filme mais bonito visualmente.

Porém ainda existem outros vinte por cento de acerto que ajudam Vikander a sustentar o filme, e eles estão na habilidade do diretor para cenas de ação. Desde a criativa bem referenciada corrida de bicicleta pelas ruas de Londres numa caça a raposa, até sequências como a do avião (essa baseada diretamente no reboot da franquia nos videogames), todas são muito inventivas e inclusive trazem um quê de Indiana Jones para o filme. As armadilhas e puzzles na tumba são especialmente curiosos e emocionantes.

No fim, mesmo que se beneficiando da baixa expectativa do gênero, esse novo Tomb Raider acaba valendo a pena por conseguir não terminar com o saldo de entretenimento no negativo. Minha torcida, pelo meu carinho pela franquia e por tudo que este reboot conseguiu construir de bom, é que ele fature o suficiente para ter uma sequência com o production value que essa nova Lara merece.  Mas desde já, vale a pena assistir Alicia Vikander como Lara Croft em Tomb Raider.

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