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Review: Deadpool 2




O ano de 2016 começou regado pelas conversas de "superhero fatigue". Argumentava-se que o gênero mais lucrativo do momento em Hollywood estava caminhando para o seu fim, baseando-se nos casos de "Os Vingadores - Era de Ultron" e "Quarteto Fantástico". Primeiro lançamento de seu tipo em seis meses, "Deadpool" caiu como uma bomba nessa conversa, servindo como o respiro necessário para todo o gênero, rindo de si, dos outros e relembrando a dimensão da versatilidade possível de se extrair de adaptações de quadrinhos. Um doce oitenta e três por cento no Rotten Tomatoes e setessentos milhões mundialmente depois, a sequência vem para elevar o jogo. 

Sim, pois "Deadpool 2" faz o que eu costumo chamar de escola "X-men 2"/"Spider-Man 2" de sequência, um formato que toda continuação de grande sucesso deveria seguir ao meu ver. Ela consiste em basicamente pegar o primeiro filme e o expandir, uma vez que agora tem mais orçamento e pode realizar o que não foi possível com o primeiro. Isso garante coerência com o material original e não só a oportunidade de reviver uma experiência que foi muito positiva, como também conhecer o que mais aquele universo pelo qual você já se apaixonou pode oferecer. A sequência de Deadpool tem isso tudo. 

Ryan Reynolds segue sendo o coração da franquia. Ainda mais perfeito no papel, seu timing para as piadas e suas reações dão tom e velocidade ao universo do mercenário tagarela, guiando e levando a diante o filme e todos que fazem parte dele. Os personagens do primeiro filme voltam ainda mais a vontade também, expandindo as relações que conhecemos de antemão. Porém os novos rostos não deixam a dever em nada, com Cable (Josh Brolin, em um ótimo ano) servindo como o contraponto perfeito ao Wade que Ryan entrega, e Dominó (Zazzie Beetz) trazendo não só girl power a toda essa testosterona, mas também apresentando uma personagem extremamente carismática e confiante.

E por mais que esse seja um filme maior em escala (e orçamento), com cenas de ação muito mais grandiosas que o anterior, o que move o filme segue sendo o humor, e os roteiristas merecem todo o crédito por explorarem sem medo as piadas META, a insanidade do personagem, e ainda assim conseguirem dar um coração ao longa que consegue, em meio ao caos, criar uma vertente emotiva tão bem desenvolvida.

Alcançando novos níveis no que se propõe e curiosamente parecendo mais claramente parte do universo X-men, “Deadpool 2” entrou imediatamente na minha lista de filmes favoritos em dois gêneros (adaptações de quadrinhos e comédias), além de integrar agora a seleta lista de continuações superiores ao filme original. Que a prometida X-Force que virá a seguir continue batendo essa meta.

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