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Review: Han Solo - Uma História Star Wars




Eu nunca acreditei nessa conversa que rola na comunidade nerd de que “a base de fãs do material original precisa ser agradada”, até porque sempre defendi que você não paga um filme de milhões só com essa base de fãs, você precisa conversar com um público maior, etc. Porém a franquia “Star Wars” tem se mostrado capaz de mudar minha opinião, uma vez que foi a reação desses fãs de longa data que manchou a reputação do excelente Os Últimos Jedi e é a mesma virada de costas deles que feriu forte esse Han Solo financeiramente. Não que ele precisasse de ajuda para isso.

A maior verdade sobre esse filme é que ninguém pediu por ele. Seja um fã hardcore da franquia, seja um fã de cinema no geral, ninguém perguntou absolutamente nada sobre as origens do personagem vivido por Harrison Ford no filme original de George Lucas. E não é que você não possa fazer um filme só porque ninguém pediu por ele, mas todo filme precisa apresentar motivos para que você invista tempo e dinheiro nele, vá ver, e quando ninguém pediu por ele esses motivos deviam ser ainda mais consistentes. É isso que Solo não faz.

O mais curioso para mim ao fim da minha sessão foi perceber que Solo não é um filme ruim, é apenas um filme bege. Ele não ousa ou assume riscos, não inova, é um “playsafe” do inicio ao fim que acaba o deixando um mais do mesmo, o faz assistivel, mas não urgente. Não é o evento cinematográfico que o lançamento de um Star Wars costuma ser. Curiosamente os rumores são de que a produtora Katheen Kennedy demitiu os diretores originais do projeto por querer um filme mais tradicional, enquanto eles pretendiam fazer algo bem mais fora da casinha. Vendo o resultado final eu só posso discordar dessa decisão.

Mas quando eu disse que o filme não é ruim, é porque “Solo” traz bastante coisa boa consigo. As performances do elenco são todas muito competentes, o próprio protagonista Alden Ehrenreich, que foi tão questionado, consegue ser muito convincente e coerente com o personagem que já conhecemos, somado a uma necessária química excelente com o icônico Chewbacca. As batalhas épicas e a trilha sonora marcante se fazem presentes dando aquele sentimento de “Star Wars” ao longa e ele certamente conversa com o restante da franquia da qual faz parte. Porém nada disso é capaz de encobrir ou elevar uma historia morna e previsível.

No fim, o maior erro de Solo é não se justificar. Desde seu anúncio o sentimento era de que não precisávamos dele e isso se mantém depois da sessão. Talvez com uma proposta mais ousada, oferecendo algo novo a essa franquia ele talvez conseguisse passar por cima deste problema, se provando uma boa ideia. O problema é que ele é que ele não consegue.

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