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Por que o Live-action de Mulan Não Será um Remake da Animação



Assim como parte do publico pela internet a fora, eu vinha incomodado com o fato do live-action de Mulan estar tomando uma forma bem diferente da animação clássica de 1998 lançada pela Disney. Afinal, desde Cinderella (2015), o estúdio vem conquistando o publico adulto através da nostalgia, com versão “em carne e osso” das historias com as quais crescemos, acrescentando no máximo uma camada a mais nas modernizadas versões com atores reais em cena. Foi esse incomodo com a mudança de estratégia que me fez ir pesquisar sobre, o que acabou me fazendo entender os motivos por trás dessa decisão e inclusive me converter, pois comercialmente é sim o caminho correto a se seguir.

O que diferencia Mulan de projetos como Cinderella, Mogli e A Bela e a Fera é uma questão bem objetiva: a China. E não, a Disney não está tomando decisões por causa da cultura ou das tradições chinesas, longe disso, o que está sendo levado em conta aqui é o que pode fazer o filme ter um retorno financeiro melhor, e neste aspecto, para esse projeto, o principal publico que precisa ser agrado é o chinês. Se estivéssemos falando de qualquer outro país a historia seria diferente, porém estamos falando do segundo maior mercado cinematográfico do mundo a critérios de receita. Com as limitações impostas pelo governo chinês hoje, um blockbuster americano bem sucedido por lá consegue faturar entre 100 até 300 milhões de dólares (o sexto Velozes e Furiosos conseguiu quase $400 milhões no país), números que chegam muito perto do faturamento dos EUA, maior mercado atual. Já produções chinesas, que não sofrem essa limitação de exibição, tem conseguido bater mais de 500 de dólares apenas em arrecadação doméstica (The Mermaid, Operation Red Sea), que são totais de super produções americanas em faturamento global.

É bem simples, se a Disney conseguir que o live-action de Mulan seja abraçado pelo publico e pelo governo chineses, ela tem com esse projeto a chance de fazer o blockbuster americano com o maior faturamento na China em toda a historia. Mas para isso será necessário satisfazer ao país, e apesar das facilidades que a Disney tem junto a China em comparação com outros estúdios uma vez que o governo de lá tem participação sobre os parques temáticos da empresa em Hong Kong, business não será suficiente. A dica sobre a necessidade de mudança na historia já vinha no press release do filme, onde o estúdio fez questão de destacar que a lenda de Mulan é ainda hoje parte obrigatória do currículo estudantil na China e tem imensa importância histórica para o país. A questão é que a lenda original não tem um carismático dragão falante, nem um inseto da sorte, muito menos um galante par romântico.

Aí você pode perguntar: “Mas Alex, quem seria contra as adições criativas que deixaram a animação tão deliciosa de assistir?”. Bem, a China. Apesar de aclamada pela crítica e ser um dos grandes clássicos do estúdio, o Mulan original teve um resultado de bilheteria apenas suficiente para ser considerado um hit, ainda assim bem inferior a outros títulos da casa nos anos 1990s. Mesmo essa bilheteria veio em grande maioria dos EUA e de outros países do mundo, já que conservadora terra natal da historia não recebeu bem a adaptação, sendo lá um dos mercados onde o filme teve o desempenho mais baixo. Um país tão rigido sobre sua cultura não recebe bem reinterpretações estrangeiras dela.

A verdade é que pela primeira vez a Disney fará um projeto que não tem o publico ocidental nostálgico como alvo. Com um elenco 100% asiático e uma historia que conversa com um mercado que pode sozinho arcar com custo e lucro da produção, o foco da vez é o outro lado do mundo. E sendo justo, não podemos reclamar, além das adaptações já feitas até aqui, só no ano que vem teremos Aladdin e O Rei Leão, antes de conhecermos esse novo olhar sobre a historia de Mulan em 2020. E pensando com o olhar de business, o que Hollywood é em primeira instancia, é a decisão correta. E não se enganem, o objetivo principal de um projeto que certamente custará mais de 100 milhões de dólares para acontecer é o retorno, é neste caso é do oriente que ele vem.

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