Pular para o conteúdo principal

Review: Nasce Uma Estrela




São inúmeras as historias atemporais no cinema. Elas surgem e ressurgem adequadas ao tempo corrente e são capazes de conversar com publico de novo e de novo, simplesmente por tratarem de temas humanos demais para não serem compreendidos. “Nasce uma Estrela” é um desses contos, talvez o mais moderno deles, e em sua quarta versão ele reforça essa estigma. Aclamados foram os anteriores, aclamado está sendo esse, um hype que confirmarei nesse review.

É claro, a historia só volta a funcionar por ter sido maravilhosamente adaptada e recontada. O primeiro crédito é do roteiro que Bradley Cooper construiu junto com Eric Roth e Will Fetters, onde conseguiram manter tudo de mais icônico, mas contextualizar uma cena social e comercial real e atual. Qualquer um que acompanhe música é capaz de ver essas carreiras acontecendo, tal como o romance é claro. A direção do filme também tem seu crédito, o dinamismo com o qual o filme se desenrola deixa imperceptível seu tamanho, e é um filme consideravelmente grande, mas guiado (e também montado, um crédito da edição) de forma muito gradativa e prática. O filme simplesmente segue rumo a sua conclusão. Se levarmos em conta que essa é a primeira vez de Cooper na cadeira de diretor, o resultado é realmente impressionante.

Uma coisa que me chamou muito a atenção durante a sessão foi o quão bonito e artístico o filme é esteticamente. Existem partes do filme que me remeteram diretamente a produções incríveis, e o que eu descobri depois é que o responsável pela fotografia aqui foi Matthew Labattique, de produções como "Mãe!", "Cisne Negro" e "Réquiem Para um Sonho". Ele repete essa atestada excelência criativa com quadros belíssimos e é algo que eu não podia deixar passar.

Mas o que moveu a cobertura desse filme na mídia foram as atuações, principalmente a atuação de Lady Gaga. A critérios de voz eu acho que Gaga já se afirmou o suficiente, então quando aquele vozeirão vem a tona ou aquela presença de palco te hipnotiza (a performance de La Vie Em Rose é perfeita), não tem nada que não sabemos. A questão é que ela entrega em cem por cento a atuação, não deixa dever em nada. Sendo justo, a personagem foi adaptada a ela e o papel claramente reduzido, mas não tem nada de errado nisso, é o que um diretor/roteirista inteligente faz, e ela recebe o que lhe é oferecido e assume com muita competência. E essa inteligência de Cooper também pode ser identificada com o que ele fez do próprio papel, que nas versões anteriores era o coadjuvante e aqui vira o protagonista. De novo, nada de errado nisso e ele faz o que pra mim é a melhor atuação de sua carreira, com camadas se sensibilidade e sutilezas quais eu não estava esperando.

A trilha sonora do filme é tão épica quanto se espera. Faixas como “Always Remember Us This Way”, “Alibi” e o carro chefe “Shallow” não devem em nadas para hits da Billboard, são extremamente bem produzidas e ambos os protagonistas tem um talento musical indiscutível. Talvez apenas o single da personagem da Gaga tenha me desagradado, porém acredito que seja uma música enjoativa propositalmente, isso funciona na narrativa.  

A genialidade por trás de "Nasce Uma Estrela" é não ser apenas um romance ou uma historia sobre duas pessoas, é uma historia sobre fama e o que ela pode fazer com as pessoas, com ambos os caminhos se encontrando em uma mesma estrada. Eu que passei parte da vida acompanhando carreiras de sucesso ou tragédia acabei apunhalado pelo filme e por sua conclusão, e talvez seja aí que ele consegue capturar as pessoas. Todo "fã" torce e sofre com o que está assistindo. De novo uma tradicional historia Hollywoodiana ganhou linguagem moderna, quê de arte e certamente vai ser um dos nomes do próximo Oscar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fox Agora é Disney: Isso Não é Uma Boa Notícia

Eu tenho sido veemente contra toda a situação da compra da maior parte do conglomerado Fox pela Disney desde que o acordo foi anunciado. Enquanto a comunidade nerd comemorava a possível volta dos X-men e do Quarteto Fantástico as mãos da Marvel, finalmente ingressando ao bem sucedido Marvel Studios, eu venho tentando debater que essa compra é muito maior que isso. A cada nova informação eu fiz postagens questionando o impacto negativo que a mudança teria no cinema como um todo e, agora que chegamos a uma realidade onde essa compra aconteceu, resolvi fazer esse texto argumentando do porque essa compra é uma péssima noticia.
A primeira coisa que precisa ser entendida é que Disney dessa vez não está adquirindo Marvel Studios, ou Lucas Films, ou Pixar, que lançavam de um a dois filmes ao ano. O 20th Century Fox era um dos seis maiores estúdios de cinema de Hollywood e um dos mais antigos inclusive, com uma agenda que chegava a DOZE filmes por ano, a par com Warner, Paramount, Universal …

Review: Coringa

Apesar de ter ganhado o renomado Festival de Cinema de Veneza, Coringa detém neste momento uma média de 69% por parte da crítica no Rotten Tomatoes. Algumas semanas antes de seu lançamento, uma polêmica surgiu baseada no receio do filme ser “irresponsável”, incentivar a violência ou o movimento Incel. A conclusão que cheguei após assistir ao filme é que a parcela da sociedade com essas reações não estava com medo do filme, ela estava ultrajada. Nada incomoda mais que o espelho. E é isso que Coringa coloca a nossa frente,um espelho do que uma sociedade decadente é capaz de fazer com seus cidadãos mais frágeis, uma sociedade que podemos reconhecer como quem vê o próprio reflexo.
Estamos acostumados a ir ao cinema para acompanhar a jornada do herói, clássica, que mostra os caminhos, os encontros e as oportunidades que elevam um ser humano ao status quo admirável, ao seu melhor. O que Todd Phillips fez aqui foi pela primeira (ou ao menos rara) vez apresentar a perfeita jornada do vilão,…

Ranking: Os Filmes de Super-Heróis de 2018

O gênero mais lucrativo de Hollywood teve um 2018 movimentado. Seis filmes foram lançados por diferentes estúdios, um numero que por pouco não foi maior antes da Fox adiar dois títulos para o ano que vem. Os resultados foram de bilheterias altas, reações mistas e universos cinematográficos se expandindo ainda mais. Dito isso, segue meu ranking dos lançamentos baseados em quadrinhos desse ano, do melhor ao pior:
1 – Pantera Negra Antes de mais nada, eu concordo com os argumento de que, retirando o impacto social, Pantera Negra é um filme de super heróis bem tradicional e com uma jornada do herói bem típica (além de um terceiro ato carregado a CGI). Porém o tamanho da representatividade que ele trouxe ao business de Hollywood, os paradigmas que quebrou e o evento cultural que estabeleceu são indiscutíveis, e se isso tudo eleva o material, mérito dele. Some isso a atuações incríveis, visuais dos mais criativos e um novo e interessantíssimo cenário a ser explorado no já gigantesco univers…