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Review: Venom




Desde seu renascimento em 2000 com o primeiro X-men, as adaptações de quadrinhos seguiram um longo percurso. Hoje é possível dividir essa era moderna dos super heróis em duas fases: Entre 2000 e 2008, onde o cinema estava brincando com gênero da maneira que sabia ou conseguia, e o pós 2008, onde Cavaleiro das Trevas e o surgimento do Marvel Studios com Homem de Ferro redefiniram o conceito e a forma de trabalhar esse conteúdo. Mais recentemente, títulos como Logan, Pantera Negra, Deadpool e Mulher-Maravilha abriram novos e mais refinados horizontes cinematográficos para o gênero. Eis que agora vem Venom proporcionar retrocesso.

Sim, pois essa é uma perfeita adaptação de quadrinhos de 2004 ou 2006. Desde o roteiro recheado a clichês e diálogos absurdamente expositivos a um vilão da profundidade de um pirex que só aparece para reforçar artificialmente como é mal, o filme parece se esforçar em repetir erros que eu achei que o gênero já tinha aprendido a não cometer. Inclusive, o banal erro de um primeiro ato enorme e cansativo e dois seguintes muito rápidos é um erro que o cinema no geral já conhece. Para completar o filme proporciona uma cena tão embaraçosa, tão constrangedora, em um nível que achei que não veria acontecer em um filme desse tipo mais, e não me importa o quão referenciada no quadrinho ela é, o termo “adaptação” serve para evitar isso.

Não que o filme não tenha nada de positivo. Tom Hardy entrega um Eddie Brock muito carismático e um Venom muito convincente, alias a relação entre os dois é a melhor coisa do filme (talvez por ser a única a ganhar desenvolvimento). Você se convence daquele personagem, daquela criatura e da ligação entre os dois. E a criatura inclusive está impecável visualmente, não só no design de personagem, mas também em ação, sendo bastante assustadora e violenta. As sequências de ação são bem boladas e bem executadas, e acabam sendo elevadas também pela excelente música do filme, em mais um excelente trabalho de Ludwig Göransson, de Pantera Negra.

Uma pena que essas qualidades não sirvam para sustentar um filme. Venom pode entreter em alguns momentos (seja rindo com ele ou dele), mas na hora de executar cinema ele deixa a desejar em aspectos demais para ser considerado bom. Existem longas da primeira década dos anos 2000s quais ainda considero guilty plesures por uma memória afetiva ao momento e a idade que eu tinha na época, e mesmo os adorando na pré-adolescência hoje consigo ver suas fraquezas. Não existe memória afetiva para uma produção nova que parece ressurgir daquele tempo, e ela certamente não contribui para um gênero que ainda luta para ser levado a sério. Infelizmente não valeu o ingresso.

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