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Mostrando postagens de Fevereiro, 2019

Review: Roma

Artisticamente, há quem diga que um filme pertence ao diretor. Essa discussão rende bastante, mas focarei neste argumento pois é o que eu acredito a respeito de cinema. Note que um filme tende a desandar de verdade quando surgem problemas com a direção, seja porque ela foi displicente ou vetada. Quão mais pessoal o projeto é para o diretor, mais ele traduz aquele profissional. Conhecer um diretor de verdade é assistir seus projetos mais pessoais. Quando os créditos de Roma, logo em seu inicio, anunciam Alfonso Cuarón como roteirista, diretor e diretor de fotografia do filme, não restam duvidas, estamos prestes a o conhecer como nunca antes.
A critério de sua emoção individual enquanto filme, essa paixão já pode ser sentida se você assistir Roma sem saber muito dos detalhes do sobre como ele foi concebido mas é com a informação que seus significados se abrem (e ele fez questão de deixar isso claro na mídia). O que estamos assistindo aqui é a reprodução fiel da infância de Cuarón no M…

Review: Infiltrado no Klan

Quando bem usado o entretenimento pode ser uma arma poderosa. Uma mensagem transmitida através do humor tem um efeito ainda mais avassalador pois algo que nos diverte é absorvido com muita facilidade e o peso do que lhe foi informado só vem a ser sentido quando já está dentro de você, de maneira que após te divertir, te constrange. É exatamente isso que Spike Lee faz com esse Infiltrado no Klan, fácil meu favorito na disputa pelo Oscar até então.
Apesar de baseada em fatos reais, o que poderia ser convertido em um documentário ou biopic bastante sério, Infiltrado no Klan transforma fatos reais em narrativa cinematográfica. Com um humor nervoso que aposta no absurdo da historia sobre o racismo nos anos 1970, ele nos guia na empreitada de Ron Stallworth (John David Washington), policial negro que, com a ajuda do policial judeu Flip Zimmerman (Adam Drive), decide se infiltrar na cresce organização de extremistas brancos Ku Klux Klan. Nessa jornada encaramos momentos que vão da sátira a …

Review: Wi-Fi Ralph - Quebrando a Internet

Sequências de animações costumam ser um território complicado. Antes dos anos 2000 animações vinham sem pretensões de continuar historias, o que mudou após a virada do século, começando pela Dreamswork, depois pela Pixar, até a prática chegar ao Disney Animation Studios. Por um lado, algumas dessas continuações se justificaram e mantiveram o nível dos originais, como “Sherk 2” e a impecável trilogia "Toy Story", enquanto por outro lado tivemos “Procurando Dory” ou “Universidade Monstro” que não alcançaram o status de seus antecessores. Pois “Wi-Fi Ralph” caminha entre os dois cenários.
Primeiro de tudo, o filme original não precisava de uma sequência. Sua historia tem inicio, meio e fim bem estabelecidos e os arcos narrativos de todos os personagens estavam concluídos, logo, essa sequência já vem com o peso de apresentar questões totalmente novas a serem trabalhadas. O resultado foi um filme em um cenário completamente diferente do anterior, com milhões de easter eggs, uma…