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Review: Frozen 2




A sequência “dark and gritty” é um caminho comum em Hollywood, muitas sequências acabam se enveredando por um tom mais sóbrio e mais sério a fim de se diferenciar do longa original. Para a franquia Frozen, depois de um primeiro filme que flertou com esse tom, mas em grande parte de manteve mais próximo de uma animação Disney tradicional e que cinco anos depois já tinha passado por dois curtas, esse parecia o caminho ideal. E foi.

O primeiro filme já fugia da curva por se tratar de um amor de irmãs e não um romance, agora na sequência eles vão além e abrem mão de ter um antagonista, transformando esse em um filme puramente de auto descoberta, o que para mim foi uma das maiores forças dele. Além de se tornar quase um estudo de personagem tanto para Elsa quanto para Anna, o filme se permitiu lidar com traumas, incertezas e com isso ganhou nuances mais adultas, com momentos mais fortes. Não me entendam mal, ainda se trata de um filme infantil, mas que atende bem a adultos, ao contrário do primeiro que era mais puramente voltado a um público mais jovem. Essa “coragem” garantiu ao filme também um senso de perigo, com sequências onde você realmente teme pelos personagens, o que eu não esperava ver aqui.

Contudo, o humor segue bastante presente. Olaf continua sendo a principal fonte dele e foi agraciado com um plot próprio bastante simples porém super relacionável e carismático e tem piadas muito mais divertidas. Kristoff também ganha uma side story e seu momento musical, que eu temia ser desnecessário, é realizado com uma sacada genial.



Não foi só em narrativa que Frozen evoluiu. A produção do filme cresceu consideravelmente, com uma qualidade de animação visivelmente mais detalhada, especialmente nos rostos dos personagens, que no filme anterior eram mais simples e aqui ganham milhões de expressões. Além disso, o design de produção é lindo, os figurinos, os cenários, a floresta, o mar, tudo parece mais rico e mais vivo. Eu fiquei especialmente impressionado com o Cavalo d’agua cuja crina é uma cachoeira!

O que a Disney fez com esse Frozen II foi manter a franquia longe do desgaste a permitindo crescer. Ainda temos aqui uma clássica animação do estúdio, porém mais próxima dos filmes maduros que a mesma fazia na década de 1990 (que até hoje é minha fase favorita). Elsa realmente seguiu pelo desconhecido e o resultado foi sóbrio, emocionante e fantástico.

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